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Brasília

Problemas estruturais comprometem ensino em escolas públicas

Arquivo Geral

23/03/2016 6h30

Mais uma vez, são os alunos que pagam pelas deficiências da rede pública de ensino do Distrito Federal.  Com a escola fechada devido a problemas estruturais, os estudantes do Centro Educacional  7 de Taguatinga tiveram de ser transferidos para outra unidade, além de terem as aulas reduzidas pela metade. A suspensão de todas as atividades no local aconteceu depois de uma vistoria da Defesa Civil junto ao Tribunal de Contas do DF, na manhã de ontem. Na semana passada, uma parte do colégio já havia sido interditada. O Centro de Ensino Médio  3 de Ceilândia também passou por fiscalização, mas continua funcionando.

Nas duas instituições, foram constatados problemas graves. Em Taguatinga, por exemplo, faltam ventilação e iluminação nas salas de aula e sobram janelas quebradas. Além disso, a rede elétrica  está comprometida, motivo que levou a Defesa Civil a interromper o ensino, pois curtos-circuitos eram constantes. Um professor e um servidor, inclusive, foram vítimas de fortes descargas elétricas.

Após a interdição, os alunos do CED 7 foram transferidos para o Instituto Federal de Brasília (IFB), na QNM 40. São cerca de 560 estudantes de 16 turmas do 1º ao 3º anos do Ensino Médio, que foram remanejados para sete salas e o anfiteatro do IFB, espaço cedido pela    instituição.  

Segundo a diretora do centro educacional, Ana Célia Sousa da Costa, a instituição nunca passou por reforma. “Desde a inauguração, em 1978, só tivemos reparos. A suspensão das atividades foi necessária. Atualmente, apenas a parte administrativa e o reforço escolar   funcionam aqui. O meu sentimento é de impotência diante da nossa realidade. Até a nossa biblioteca é um depósito de livros”, lamentou.

Conteúdo pela metade

Em dias normais, os alunos assistem a seis aulas entre 7h15 e 12h15. Com a mudança, parte dos estudantes está em sala de aula das 7h15 às 9h40, e os demais, das 9h50 às 12h15. Com o conteúdo reduzido pela metade, alunos temem dificuldades na preparação para o vestibular e para o Enem.

De acordo com o vice-diretor Genovaldo Ximenes Aragão, a previsão para que a empresa contratada   para reparar a parte elétrica termine o serviço é de 45 dias. “Nossa saída é completar o ensino com atividades extracurriculares na internet. Também estamos dependendo da ajuda das famílias”, concluiu.

 Dificuldades interferem na rotina

Segundo a aluna do Centro Educacional 7 de Taguatinga, Yanka Cristina Barros da Silva, 18 anos, os estudantes receberam a notícia da suspensão das aulas com alegria e frustração. “Nossa escola é ótima, não queríamos sair daqui. Mas a situação estava péssima”, afirmou. Yanka ressaltou que o instituto fica longe e que muitos têm que mudar a rotina para chegar no horário. Por fim, ela declarou preocupação com o conteúdo: “As salas cedidas pelo instituto não são suficientes”. 

No Centro de Ensino Médio 3 de Ceilândia Sul, o problema é falta de segurança. Segundo o diretor,  Divaldo de Oliveira, usuários de drogas e moradores de rua ocupam o local. Na última inspeção do Tribunal de Contas (TCDF), usuários de crack moravam na quadra de esportes do colégio e ameaçavam alunos e demais frequentadores.

“Inadmissível”

Para o presidente do TCDF, conselheiro Renato Rainha, é inadmissível  que o ambiente escolar ofereça riscos à saúde e à segurança. “Percebemos que muito pouco ou nada foi feito desde a auditoria inicial em 2014, que determinou medidas para sanar as irregularidades”.

Ele acrescentou que há diversas escolas com sérios problemas que expõem a comunidade a graves riscos e isso compromete a qualidade da educação oferecida.

Em relação ao CEM 3, o conselheiro destacou que vai tomar outras providências. “Fomos informados de que a área será revitalizada pela Secretaria de Educação e voltaremos em 90 dias. Quanto à segurança, o tribunal vai exigir novamente   ação imediata”, completou.

A vistoria  ocorreu após o TCDF autorizar um monitoramento, neste ano, para avaliar as medidas adotadas pelas secretarias de Educação e de Segurança   e pelo Corpo de Bombeiros. Em 2014, o tribunal determinou que fosse elaborada e implementada política de gestão da infraestrutura física das escolas.

 

 

 

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