Cerca de 25 policias que fizeram o VIII Curso de Rotam (Rondas Ostensivas Táticas Motorizadas) foram presos administrativamente por 72 horas a contar a partir de hoje (1º). Todos ficarão no quartel da Rotam, que fica na Cidade do Automóvel, e terão que providenciar a própria alimentação. A coordenadora do curso, capitã Otávia Feitosa, foi detida ainda pela manhã ao se apresentar na Corregedoria da PMDF. A defesa dos policiais entrou com pedido de habeas corpus para tentar conseguir a soltura ainda hoje.
A situação pode instalar uma crise dentro da própria corporação. Em vários grupos de WhatsApp há a informação de que existe a possibilidade de uma espécie de “Operação Legalidade” das demais equipes táticas como forma de apoio aos policiais presos diante da decisão da Corregedoria. Porém, não deve ocorrer paralisação, uma vez que o regimento militar não permite qualquer tipo de manifestação. Os policiais da Rotam foram detidos após denúncia do coronel Emerson Rodrigues Silva, comandante do Comando de Missões Especiais (CME), que reclamou do teor de uma canção proferida e da falta do canto do hino da PMDF durante a formatura do curso, na última quarta-feira (30).
Segundo o documento que pede a prisão administrativa, a sanção foi necessária para a “preservação da disciplina e do decoro da Corporação, bem como a exigência de pronta intervenção, pela prática de conduta contrária aos preceitos estatuídos no ordenamento jurídico pátrio ofensiva à ética e às obrigações policiais militares”.
Dados
Os policiais que fizeram o curso da Rotam, durante os 11 dias de estágio, apreenderam 30 armas, recuperaram seis veículos roubados, 38 kg de drogas e detiveram 50 pessoas, dentre elas cinco foragidos da Justiça.
Em relação ao caso, o comandante-geral da corporação, coronel Antônio Nunes, afirmou que vai se inteirar da situação com a Corregedoria para poder se pronunciar. “É preciso avaliar direito a situação”, afirmou, lembrando que a Corregedoria tem autonomia para tomar decisões. Sobre a insurgência de alguns policiais como forma de protesto, ele novamente diz que necessita avaliar a situação com cuidado.
Versão Oficial
Em nota, a corporação confirma que os militares foram presos administrativamente por até 72 horas, conforme prescreve o Regulamento Disciplinar do Exército (RDE), que é utilizado pelas polícias militares. “Isso, devido à gravidade do fato, desrespeito às normas militares e aos valores que deveriam cultuar”, informa.
Além disso, foi instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a participação de cada um num possível crime de motim e incitamento, uma vez que se recusaram a entoar o hino da PMDF numa formatura oficial.