Da Redação
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O Batalhão de Operações Especiais da Policia Militar (Bope) tem fama de ser osso duro de roer. Há quem diga que ele não é para as mulheres. Mas, no Distrito Federal, Sonia Araújo garante que ele é sim. Há mais de 13 anos na corporação, a sargento diz que estar no Bope é sua realização profissional. E ela é a primeira paraquedista feminina do grupo. Mais de cem saltos gabaritam a policial.
A sargento Sonia Araújo tem vencido barreiras e, em nome do seu sonho, vive em constante prova de superação. Nascida no Rio de Janeiro, veio para Brasília em busca de um sonho: ser policial. Desde 1991, quando chegou aqui, após ser aprovada em concurso da Polícia Militar do DF, sua meta era trabalhar no Bope. Após oito anos de trabalho, o sonho tornou-se realidade. “Tem de ter muito treinamento, ser humilde e estar de bem com a vida para encarar as adversidades. O trabalho policial requer muita disciplina e organização”, afirma.
Na polícia, o paraquedismo tem uma função tática. É usado, principalmente, em casos de infiltração, mas também em ações humanitárias. Segundo o capitão Geraldo Pereira, para fazer parte do Bope é preciso ter coragem, determinação e muito controle emocional. “Cursos como o que a Sonia fez são para que o policial aprenda a lidar com essas situações. Ela teve de mostrar que é capaz. Hoje, é a única mulher que deu continuidade à especialização e pratica saltos constantemente. Isso é louvável”, afirma o capitão.
Sônia conta que nunca foi uma mulher medrosa e sempre foi esportista. Antes de entrar na polícia já praticava caratê e corridas. “Sempre tive curiosidade de saber como funciona e, é claro, a sensação de pular de paraquedas. Mas não sabia como, nem onde começar”, explica Sônia.
Em 2007, quando foi aberto um curso operacional no Bope, ela se inscreveu. No Rio de Janeiro, onde fez o curso, Sonia saltou pela primeira vez. “Antes do salto, fiquei o tempo todo rezando, com receio e pânico. Mas na hora, foi o máximo! Adorei e quis repetir várias vezes”, relata. Durante o curso Sônia fez oito saltos. “Toda vez que o avião ia decolar eu estava junto para saltar”, pontua. No curso, ela aprendeu a modalidade stact line, o mais tradicional do mundo, em que o aluno é ensinado e treinado para saltar sozinho.
Retomada
Mas nem tudo correu como o planejado. Depois do curso, Sonia ficou um ano sem saltar. “Não sabia o que fazer para levar adiante esse projeto. Conhecia pouco e não tinha quem pudesse me orientar”, revela.
Logo depois, sua mãe, mais conhecida como vovó Geralda, queria fazer um salto. Ao procurar um local, encontrou um amigo que lhe apresentou o salto livre e contou que bem próximo daqui havia um local para lançamento de paraquedistas. Em Anápolis (GO), onde sua mãe saltou, Sonia resolveu se aperfeiçoar na nova modalidade, na escola que leva o nome do tipo de salto. Para essa mulher radical estar pronta, dez saltos foram suficientes. “Queria trocar de categoria, me aprofundar no assunto. Aprendi saltos de precisão, entre outros. Hoje, paraquedismo é o meu esporte preferido”, confessa a sargento.
“Saio em busca de locais fora de Brasília para viver essa experiência. Já fui para Anápolis, Goiânia, São Paulo, Resende e outros locais”, conta Sonia. “Brasília é um lugar ótimo para saltar. Já fui convidada para dar demonstrações de salto para o Exército em Brasília e no Rio de Janeiro. Pra mim é motivo de orgulho, prazer e autoestima”, revela Sonia.
Sua meta agora é ir para o exterior. E Sonia quer bater um recorde internacional. “Estou só esperando o momento certo. Vou para um desafio fora do País, mas ainda não sei quando. Espero que em breve eu possa saltar com um grupo de policiais estrangeiros”, explica.
Hoje ao lado de sua mãe, ela diz que ama Brasília: “Aqui foi o lugar onde as portas se abriram para mim. Muito coisa boa aconteceu. Sou grata por tudo que esta cidade fez por mim: amigos, casa, trabalho, realização profissional e pessoal”. Hoje, além de paraquedista, ela também é faixa preta em caratê, mergulhadora, pratica rapel e natação. “Gosto muito de esportes, adoro adrenalina”, confessa, com alegria.
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