Em apenas três semanas, mais de 300 quilos de drogas foram apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), no posto da BR-040. Esse volume foi encontrado graças ao trabalho realizado pelo Grupo de Operações com Cães (GOC), equipe especializada da PRF que combate o tráfico de entorpecentes nas rodovias que dão acesso ao Distrito Federal.
Durante as operações, os agentes identificam os suspeitos e os abordam. Depois desse procedimento, é a vez dos cachorros agirem. “Os animais são capazes de encontrar substâncias em qualquer local que estiverem escondidas. Isso melhora a eficiência da fiscalização da Polícia Rodoviária Federal e não constrange as pessoas. Por exemplo, em um ônibus de viagem o animal consegue identificar o entorpecente dentro de malas. Com essa parceria, o trabalho policial é otimizado e as pessoas de bem não são prejudicadas”, explica o inspetor Tobias Silva, representante da atividade cinotécnica – treinamento de “O cão e seu guia fazem a busca dentro do veículo. O resultado dessa ação conjunta é a redução do tempo gasto com a desmontagem de partes do veículo ou com a retirada de malas do interior de bagageiros de ônibus”, conclui o inspetor.
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Rotina
O Jornal de Brasília foi convidado pelo GOC para acompanhar uma operação de apreensão de entorpecentes num trecho da BR-040. O grupo foi acionado após uma investigação de um possível ônibus oriundo de Campo Grande (MS) com destino a Brasília. Não foram encontradas drogas, mas pudemos conhecer a rotina desses policiais rodoviários.
O procedimento começou nessa quarta-feira, por volta das 14h. Três policiais e os cães Zeus e Aruak formavam a equipe de abordagem, próximo a Cristalina (GO), no posto Sipaúba da PRF. Os policiais colocaram redutores de velocidade e abordaram cerca de 40 veículos em situação suspeita.
Faro apurado para achar “brinquedo”
O Grupo de Operações com Cães é requisitado por diversas forças policiais. As drogas podem estar escondidas e até misturadas com substâncias que exalam odores. Mesmo assim, o animal consegue encontrar a droga no veículo. O inspetor João Carlos explica que o animal não tem contato direto com a substância, apenas consegue farejá-la em razão do treinamento. Durante o treino a droga é colocada numa caixa com pequenos buracos para sair o odor do entorpecente. Quando o cão encontra esse “brinquedo”, é parabenizado, conta João Carlos. Brasília está no meio de três rotas do tráfico. Do Paraná vem a maconha, do Mato Grosso, maconha e cocaína, e de São Paulo, o crack.
Varredura feita em poucos segundos
Por volta das 18h40, o ônibus suspeito chegou nas proximidades do posto da PRF. Os policiais abordaram o veículo e procuraram por substâncias ilícitas. Todas as bagagens foram colocadas em fila ao lado do coletivo. Em seguida, o cão Aruak foi colocado em operação. Em poucos segundos o animal realizou a varredura no ônibus. Entretanto, nada foi encontrado.
O inspetor Cordeiro, guia de Aruak, um pastor belga de mallinois, relatou que com essa parceria, o procedimento policial fica muito melhor. “Com o animal, o trabalho de fiscalização em busca de drogas fica muito mais eficiente e dinâmico. Levamos no máximo um minuto para fazer a varredura completa no veículo, assim podemos verificar uma demanda de automóveis muito maior durante as operações”, explica.
Desde cedo
Os animais escolhidos para atuar na PRF começam suas carreiras muito cedo. Aos quatro meses de idade os cães passam por uma triagem, baseada nas suas qualidades naturais. A partir desse momento, as caracteristicas dos bichos são melhoradas. Por volta do primeiro ano de vida, o cão está pronto para atuar junto com o policial nas rodovias federais.
Operações bem-sucedidas
No dia 26 de julho, foram encontrados cerca de 100 kg de pasta base dentro de um veículo, que fazia o trajeto Lacerda (MT)-Brasília. Três pessoas foram presas e um menor apreendido.
No dia 2 de agosto, aproximadamente 115 kg de maconha foram apreendidos dentro de um ônibus. O coletivo fazia o trajeto Goiânia (GO)-Recife (PE). Todos as pessoas foram encaminhadas para a delegacia, onde prestaram depoimentos. A droga não estava em uma mala identificada.
No dia 6 de agosto, cerca de dois quilos de crack foram identificados dentro de um ônibus, que fazia o trajeto Paraguai-Brasília. O dono do entorpecente não foi identificado.