Depois de quatro anos convivendo com a pecha de “amarelona”, a seleção brasileira feminina de vôlei conheceu o outro lado da moeda nesta quarta-feira. Depois de desembarcarem em Guarulhos, com direito a escolta de caças da Força Aérea Brasileira, as campeãs olímpicas concederam entrevista coletiva em um hotel próximo ao aeroporto de Cumbica.
Mas a maratona ainda não terminou. Mesmo cansadas por conta da longa viagem que teve origem em Pequim e morrendo de sono por causa do fuso horário invertido, as jogadoras do selecionado verde-amarelo iniciaram a tarde passeando por alguns dos principais pontos turísticos da cidade de São Paulo.
Em cima de um carro do Corpo de Bombeiros, elas seguirão pelo centro da capital, Avenida Paulista até chegarem ao aeroporto de Cumbica, de onde cada uma seguirá para sua casa. Do grupo de 12 jogadoras, apenas Carol Albuquerque, Mari, Paula Pequeno e Fofão devem ficar em São Paulo, além do técnico José Roberto Guimarães.
“Depois do título em Barcelona foi exatamente assim que aconteceu, com desfile, reconhecimento do nosso trabalho e as pessoas se orgulhando de nós. A ficha está começando a cair agora porque lá da China, por mais que a gente acesse a Internet, não dá para ter nem idéia de como as pessoas ficaram felizes”, declarou o técnico José Roberto Guimarães.
Dezesseis anos atrás, ele era o comandante da seleção de vôlei masculina que conquistou nos Jogos de Barcelona a então inédita primeira colocação, primeira vez em que o Brasil também conquistou um ouro em uma modalidade olímpica coletiva. Na ocasião, ele não conseguiu manter a equipe no topo, ficando com o quinto lugar em Atlanta-1996.
Agora, porém, ele prefere tomar um outro rumo. “A vitória foi extremamente importante, mas a vida continua. Essas jogadoras possuem consciência da responsabilidade delas”, discursou o treinador. “Já experimentei os dois lados e sei o quanto é duro uma derrota sofrida. Temos que comemorar o ouro, mas sabendo que não pára por aí. Não podemos entrar no oba-oba, achar que somos os melhores do mundo, porque em algum lugar do mundo sempre vai ter quem treina mais do que nós”, destacou.
Questionado se o vôlei feminino do Brasil conseguirá uma hegemonia semelhante à dos homens nos últimos oito anos, Zé Roberto disse que ainda é cedo para se falar isso. “Tomara que a gente seja parecido com esse time incontestável que é a seleção masculina, mas sabemos que é difícil. O mundo do volei vai mudar, com muitas jogadoras importantes saindo de várias seleções”, observou Zé Roberto.
Ele, porém, não tem dúvidas de que o Brasil seguirá entre os melhores. “Apesar de trocarmos de levantadora (Fofão está se despedindo da seleção), o coração do time, temos ainda uma boa base e isso pode ser benéfico para o futuro. Não tenho dúvidas que vamos ser uma força. Se tivermos tranquilidade, boa cabeça, respeito podemos continuar na frente. Mas, para chegarmos na seleção masculina do Brasil ainda falta muito”, avaliou.
Ceará terá privilégio – Zé Roberto ainda aproveitou a oportunidade para anunciar que o time campeão olímpico já estará na ativa na semana que vem, com a disputa de um quadrangular entre os dias 3 e 7 de setembro, na cidade de Fortaleza. O evento, programado para o ginásio Paulo Sarasate, contará também com Cuba, República Dominicana e Argentina.