Matheus Venzi
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A confirmação sobre a epidemia de doenças infecciosas que causam feridas e fungos na pele (escabiose e impetigo), no Complexo Penitenciário da Papuda, evidencia a gravidade da situação. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios entende que há um surto diante dos números divulgados pela Secretaria de Saúde do DF. Segundo a pasta, 692 detentos estão contaminados. A Saúde garante que todos estão em tratamento. A informação, no entanto, é contestado pelos familiares dos detentos.
A irmã de um dos presidiários infectados, que prefere se identificar por medo de retaliações, reclama que não consegue levar medicamentos e pomada para o irmão porque os agentes penitenciários não permitem a entrada de remédios sem receita médica. “Existem medicamentos que não precisam de receita para entrar. Eles podiam colocar as pomadas e medicamentos que tratam essas duas doenças na lista, já que se trata de uma epidemia”, explica.
Ela diz ainda que o irmão não está recebendo tratamento, apesar de ter uma ferida no ombro que continua a crescer com o passar do tempo. “Ele me disse que os agentes nem sabem que ele está contaminado. Eu falei pra ele pedir pra leva-lo à enfermaria pra passar pomada, mas ele me disse que se fizer isso vai acabar apanhando. Lá, os detentos são tratados que nem ratos”, desabafa.
A higiene do lugar também é motivo de reclamação. Na última visita que fez ao irmão, a mulher relata que o pátio estava lotado de lixo. “Os presos realizaram uma limpeza nas celas e jogaram toda a sujeira para o pátio, uma vez que não tinha um lugar adequado para descartá-la”, relatou.

Fotos: Divulgação
A Subsecretaria do Sistema Penitenciário informou que o problema é contornado por meio de medicação
Mutirões de triagem estão sendo feitos para o diagnóstico
Infectados podem até morrer
A dermatologista integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Thuany Santos, afirma que os médicos do sistema penitenciário devem atuar imediatamente. Ela reconhece que o problema é bem complicado, mas diz que pode piorar caso nenhuma medida seja tomada. “É preciso tratar não só os doentes, mas todos que estão em contato com eles, já que a doença é transmitida pelo contato inter-humano”, propõe Thuany. Medidas de higienização também seriam efetivas
A dermatologista reforça que o problema precisa ser tratado o quanto antes. “Uma das doenças, o impetigo, apesar de ser uma infecção de pele superficial pode evoluir para uma doença renal grave caso não seja tratado. O contaminado corre até risco de morte por causa disso”, revelou.
Até o fechamento dessa reportagem, a Subsecretaria do Sistema Penitenciário não respondeu se adotou novas medidas para o tratamento dos presos na Papuda e contenção da epidemia.