O presidente da Agência Mundial Antidoping (AMA), o australiano John Fahey, afirmou hoje que não tem informações para pensar que existe doping sistemático em algum país e se mostrou convencido de que neste momento não há doping genético.
Fahey, que concedeu uma entrevista coletiva, explicou que a AMA realizará um trabalho de apoio na questão de antidoping durante os Jogos de Pequim, cujo laboratório conta com “equipamento muito moderno” para as análises, que “serão conservadas congeladas durante oito anos”.
“Caso tivéssemos informação sobre possível doping sistemático em algum país nos comunicaríamos com suas autoridades. Não temos dados para falar disto. No caso dos atletas russos é necessário esperar o desenlace do procedimento em curso e o direito deles de se defenderem, embora nos reservemos nosso direito a intervir”, declarou.
O presidente da AMA disse que estaria sendo “ingênuo se dissesse que não vão haver casos positivos durante os Jogos”, embora “cada vez mais países demonstrem que não querem mandar a Pequim nada fora atletas limpos”, e descartou que estejam acontecendo agora casos de doping genético.
“Hoje, com os testes disponíveis, não estão acontecendo, mas é necessário mais investigação para encontrar processos de detecção. Nós temos um trabalho para defender a saúde pública e consumir estes produtos coloca em risco a vida e a saúde”, declarou.
Fahey, que substituiu o canadense Richard Pound em novembro na Presidência de AMA durante a terceira Conferência Mundial Antidoping realizada em Madri, afirmou que “há mais de 50 variedades de EPO de terceira geração” como a detectada no último Tour de France.
“Seria ingênuo pensar que não há pessoas que deseja preparar armadilhas. Veremos isto nos Jogos, mas somos mais astutos que no passado e há menos possibilidades de fazer sua própria vontade. Continuamos enfrentando a ciência que pretende enganar e agora detectamos produtos antes que cheguem ao mercado. As técnicas se tornaram muito mais inteligentes e certeiras”, declarou.
O ex-ministro australiano de finanças disse que “a luta contra o doping deu um passo gigantesco com a assinatura do Código Mundial” há quatro anos, apesar do qual é necessário “acabar com a suspeita e restabelecer a confiança do público”.
“Caso haja suspeita o mundo nos abandonará e o esporte corre o risco de ir desaparecendo. O público deixará de se interessar pelo esporte. Pensamos que já não haverá casos que ficarão sem serem detectados e acho que dentro de duas semanas iremos vendo resultados que fizeram com que as pessoas recuperem a confiança”, concluiu.