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Brasília

Prepare o orçamento, pois 2015 começou

Arquivo Geral

01/01/2015 8h00

Com o início do ano, o valor das contas vai aumentar e é bom o consumidor estar preparado para enfrentar maiores gastos e repensar a planilha do mês. Existe previsão para aumento da tarifa de energia, incertezas quanto à inflação e até a possibilidade de criação de novos impostos, a exemplo da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), extinta em 2007. Sem contar a situação delicada que o DF vive, diante do aperto orçamentário e das dívidas deixadas para o governador empossado hoje, Rodrigo Rollemberg.

Para o cidadão,no entanto, siglas e alíquotas dizem muito pouco. A linguagem que eles entendem é do aumento de gastos, especialmente por sentirem diretamente no bolso. A dona de casa Érika Alves, de 27 anos, prevê um ano difícil para sua família. “Ainda não estamos preparados para a mudança. A gente só se surpreende com as notícias e vai vendo o que faz”, admite.

Entre as grandes preocupações da mulher, está o retorno do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis. Ela e o marido pensavam em trocar de carro, mas desistiram da ideia devido à possibilidade de ter prejuízo. “O jeito vai ser gastar menos. Inclusive, lavar roupas apenas um dia da semana para economizar água, não deixar luzes acesas. Tudo para cortar custos em todas as atividades”, generaliza.

Itens essenciais

O aumento dos preços dos produtos que compõem a  compra mensal de Érika também é  motivo de dor de cabeça, especialmente porque alguns deles não podem ser substituídos por similares de marcas mais baratas. “A fralda da minha filha de dois anos, por exemplo, precisa ser de um tipo específico, por conta da alergia dela. Não tem como deixar de comprar ou diminuir a quantidade”, diz.

O primeiro efeito sentido pelo possível arrocho foi o lazer. Érika, o marido e as filhas pretendiam viajar para a virada de Ano Novo, mas desistiram da ideia. “Foi melhor assim, para economizar. Está tudo muito caro, e olha que queríamos ir para um lugar aqui no País mesmo. Se bobear, era mais barato ter procurado lugar lá fora”, reclama.

O graduado em Economia e professor de Administração Pública pela Universidade de Brasília (UnB), o especialista José Matias-Pereira acredita que a inflação e as contas mais dispendiosas afetarão, principalmente, a qualidade de vida das pessoas.

“Usando a expressão popular, todos devem colocar as barbas de molho, pois o que vem pela frente não é fácil de ser enfrentado. A inflação deve subir mais um ponto e meio e o impacto pode ser mais forte na área de alimentos e transportes”, alerta.

Efeito dominó para toda a população
 
Caso a previsão de aumento da inflação se confirme, o resultado deve ser um baque para a vida de Márcia da Silva, empregada doméstica de 41 anos. Apesar de contar com o carro da família para ela, o marido e os quatro filhos, Márcia frequentemente se desloca de ônibus. E com tantas bocas para alimentar, comida sempre representa alto custo, independentemente do nível de inflação.
 
“Não sei como vai ser quando as coisas subirem ainda mais. A sensação é de que toda hora a gente tem  aumento nas contas!”, queixa-se a moradora do Gama. “Quando isso acontece, saio procurando promoções para tentar economizar”, conta. Segundo ela, o marido mantém controle sobre os gastos familiares por meio de planilha, mas ainda assim é difícil se planejar.
 
Márcia  lembra que custos mais altos com transportes, por exemplo, afetam toda a cadeia trabalhista. “Se o preço dos ônibus sobe, eu tenho que pagar mais para vir trabalhar. Isso acaba sendo repassado para o bolso dos patrões”, avalia.
 
A principal dica do especialista  José Matias-Pereira é: evite pegar empréstimos e, com isso, não assuma dívidas. “As famílias devem saber exatamente o que devem consumir, no que podem reduzir. A preocupação em se organizar e controlar as contas deve ser grande. Não entre em cheque especial”, adverte.
 
Combustível
 
O combustível, que já havia sofrido reajuste em novembro – a gasolina subiu 3% e o diesel 5% no DF – deve ter nova alteração. O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, já acenou   a possibilidade de reintroduzir a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), a fim de aumentar arrecadação. A queda nos preços do barril de petróleo por todo o mundo poderiam apaziguar o preço final, mas ainda assim haveria aumento.
 
Futuro incerto
 
Em meio às incertezas,  economistas ainda aventam a possibilidade de um novo imposto a exemplo do CPMF. Apesar de tratarem a volta  dele como algo politicamente impopular, lembram que, em 2008, após o fim da prorrogação da taxa, o governo tentou aprovar a Contribuição Social para a Saúde (CSS), derrotada por divergências até mesmo entre a base aliada. “Quando você tem cenário de insegurança, não há apenas a questão do risco de aumento de preços, existe chance de a pessoa perder emprego e ver sua fonte de renda diminuída”, alerta o especialista José Matias-Pereira. Para ele, como a inflação “corrói os salários”, é essencial repensar hábitos de consumir e criar planos de gastos para ter maior controle sobre o próprio orçamento. Comece, por exemplo, economizando energia.
 
Reajustes impactam em serviços
 
Mesmo com a possibilidade de abastecer com desconto devido a acordo do sindicato com distribuidores de combustível, o possível aumento da gasolina é uma questão que preocupa o taxista Sebastião de Souza, de 59 anos. “Para compensar os maiores gastos, é preciso aumentar o tempo de serviço. Já vi gente ficar até 17 horas rodando, quando o normal, em um dia bem cheio, seriam 12 horas”, diz.
 
Ele lembra que a alimentação, no entanto, pode ser um ponto de custo ainda mais crítico. “Como passo praticamente o dia todo fora, como sempre em restaurantes. O preço aumentar vai ser um grande problema. A solução vai ser mudar o cardápio e os hábitos”, resigna-se Sebastião. Para as compras em casa também deve haver impacto. “Às vezes saio da minha casa   no Riacho Fundo só para ir ao atacado de Taguatinga. Vou ter que fazer isso mais vezes”, revela.
 
Luz  
 
O brasiliense já convive com a tarifa reajustada na conta de luz – houve aumento de 18,38% para o cidadão e 19,9% para indústrias, em agosto – mas, a partir de hoje, devem chegar também as “bandeiras tarifárias”, que afetará os usuários de alto consumo. Já aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a medida pode representar acréscimo de até R$ 3 a cada 100 Kwh empregados.
 
Essa cobrança é alvo de crítica da Proteste Associação de Consumidores, que acusa as bandeiras de ferirem o Código de Defesa do Consumidor e o próprio Plano Real, disposto na Lei 9069/95. “O consumidor também é prejudicado pelo modelo regulatório da energia no Brasil. Não há concorrência e não se pode escolher sua concessionária, deixando-o cativo das companhias que atuam em suas regiões”, avalia Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste. 
 
O especialista José Matias-Pereira acredita que o rombo nas contas do GDF – estimada em  R$ 3,8 bilhões  deve, ainda, afetar a oferta de serviços na capital. “Setores  tendem a ficar piores”, avalia.
 
Saiba mais
 
Para aumentar a arrecadação e atingir a meta de superávit primário, a Cide sobre o combustível pode voltar. A alíquota máxima permitida por lei é de R$ 0,86 ao litro de gasolina e R$ 0,39 para o diesel. Os valores mais prováveis, segundo economistas, ficam entre R$ 0,14 e R$ 0,50 para a gasolina, o que poderia gerar até R$ 13 bi anuais.
No caso do IPI, a volta pode representar também arrecadação de mais R$ 13 bi aos cofres públicos. Para automóveis, a alíquota está em 3%, quando o normal seria 7%.
 

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