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Brasília

Precursor do tai chi chuan no DF completa 85 anos

Arquivo Geral

07/03/2016 6h30

Jurana Lopes

jurana.lopes@jornaldebrasilia.com.br

Completar 85 anos esbanjando saúde, alegria e equilíbrio mental e espiritual não é para qualquer um. O segredo, segundo Joseph Moo Shong Woo,  o mestre Woo, é a prática do tai chi chuan, arte milenar chinesa  que consiste em   exercícios de artes marciais com movimentos lentos. Ontem, o precursor da prática no Distrito Federal  comemorou   o aniversário entre vários de seus seguidores, amigos e familiares na Praça da Harmonia Universal, na 104/105 Norte. 

O mestre Woo começou a praticar tai chi chuan ali em 1974. Desde então, a praça se tornou ponto de encontro.  “O tai chi é uma cultura milenar de interiorização. Proporciona saúde, alegria, paz interior, esperança e força. É o grande segredo da longevidade. Amigos mais novos que eu que já faleceram. O tai chi chuan me dá vitalidade e bem- estar, além de equilíbrio”, afirma.

Nascido em Taiwan,  ele estudou nos Estados Unidos e mudou-se para o Brasil em 1961. Morou em São Paulo e em Minas Gerais antes de residir em Brasília. Além de médico, acupunturista e professor de   outras artes marciais, mestre Woo é monge, poeta e arquiteto. Segundo ele, a prática do tai chi é voltada para todas as pessoas, independentemente de idade e limitações.

“Não há risco físico. Todos podem praticar, respeitando sempre seus limites. Até mesmo pessoas doentes, pois ajuda no bem-estar. Faz bem para saúde, mente e corpo. Aqui, tudo é gratuito, porque o amor de Deus é gratuito. Essa é a minha missão, o ensinamento não só exterior, mas para que a mente e o espírito possam se elevar”, explicou. 

O mestre garante que adora a Praça da Harmonia Universal, mas faz uma ressalva: sente falta de um banheiro no local para atender a comunidade.

Celebração

Para celebrar o aniversário de mestre Woo e também o Dia Internacional da Mulher, ontem houve atividades   gratuitas de tai chi chuan, terapia verde, ioga, biodança, rodas de conversa, artesanato e palestras sobre qualidade de vida e tratamento alternativos.  A comunidade compareceu para desejar felicidades e vida longa ao mestre.

O artista plástico Eber Barcelar, 65 anos, diz que   Woo foi um grande incentivador e o inspirou a criar um grupo de tai chi chuan no Sudoeste. Hoje, o grupo Lian Gong em 18 Terapias já fez mais de 400 atividades abertas e possui mais de 30 praticantes fixos. “Eu pratiquei   tai chi com o mestre Woo e ele sempre me incentivou a criar um grupo. Hoje, ocupamos o Parque Bosque do Sudoeste  todas as segundas e quartas às 8h30, e aos sábados, às 9h. Quem quiser participar basta ir ao nosso encontro”, convida.

Família   aumenta

A atriz Maria Paula fez questão de vir de São Paulo a Brasília para participar da comemoração. Quando está na cidade, costuma  praticar tai chi chuan com o mestre Woo: “Vejo o tai chi não só como uma atividade física, mas espiritual. Hoje, as pessoas só querem cultivar os músculos. Nas artes marciais milenares aprendemos a cultivar os valores, o íntimo do nosso coração. Aprendi muito com o mestre Woo e  não poderia deixar de vir. Agora, recebi meu certificado e faço parte do grupo dele”.

Contribuição com a saúde pública do DF

Mestre Woo faz parte da Associação Cultural Brasil-China (ACBC), que possui parceria com o governo local. Seu filho, o médico Aristein Woo  explica que  cerca de 30 centros de saúde   disponibilizam a prática do tai chi chuan atualmente. “Fizemos a primeira capacitação para servidores da rede pública   em 2006 e, até agora, já foram  cinco cursos. Sempre que existe demanda, realizamos um diagnóstico em todo o DF e organizamos a atividade”, explica. 

A aposentada Teresinha Pereira, de 62 anos, pratica tai chi chuan com o mestre Woo há 15 anos e conta que só teve ganhos com a prática. “Nós interagimos e fazemos amigos. São vários os benefícios para o corpo  e o lado espiritual. É uma prática para viver bem e feliz. Hoje, sou uma pessoa mais calma e mais alegre. Quero envelhecer com saúde”, destacou.  Teresinha se tornou voluntária da ACBC e pretende seguir praticando a arte milenar, que ganha cada vez mais adeptos.

Yara Márcia Almeida, 60 anos, era bancária e viu sua vida mudar por completo em 1987, por meio do tai chi chuan,  em São Paulo. Quando se mudou para o DF, em 1998, sempre que descia do apartamento para dar uma volta, via o mestre Woo praticando o tai chi chuan e voltou a se exercitar. Com o tempo,  ela se inspirou tanto que, hoje, se tornou professora de tai chi com leques.

“O tai chi foi fundamental para a minha vida. Eu saía do trabalho estressada, ia direto para o tai chi e saía relaxada. Quem pratica essa arte  sai mais leve e alegre. São 40 minutos em que trabalhamos   meditação,   alongamento,   exercício de equilíbrio,   automassagem e, por último, os movimentos. É uma busca de saúde, equilíbrio e movimentos lentos e suaves”, explicou. 

Yara diz que o grupo liderado por mestre Woo se tornou uma família, e graças a ele  tantas pessoas aderiram à prática.

Serviço

Qualquer pessoa pode praticar o tai chi chuan com o mestre Woo. O grupo se reúne todos os dias. De segunda a sábado, os encontros são das 6h às 7h e das 7h30 às 8h30. Aos domingos, a prática ocorre das 8h às 9h. Durante à noite, os encontros são segunda e quarta, a partir das 19h, sempre na Praça da Harmonia Universal. O tai chi é gratuito.

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