A guerra fria entre moradores incomodados e os propagadores de cultura do Distrito Federal mostrou que isso não combina com o clima festivo do período pré-Carnaval. “Os blocos antigamente eram pequenos, passavam nas entre-quadras e eram coisa só de família”, avalia a estudante Isabela Testi, 24 anos. Com os amigos, ela compareceu ao desfile do bloco Virgens da Asa Norte, na tarde de ontem, no Setor Bancário Norte.
“Os blocos foram crescendo muito. O Babydoll de Nylon e até o Virgens viraram enormes, e as pessoas não souberam ser tolerantes”, opina a estudante, que diz frequentar o Carnaval local “há vários anos”. Neste ano, porém, viajará com os colegas a Maceió (AL) para descobrir o que a cidade nordestina tem a oferecer nesta época do ano. O desfile de ontem foi seu gostinho da folia brasiliense em 2016.
Organizador do Virgens da Asa Norte, Maurício de Sousa, vestido a caráter, enalteceu o crescimento dos blocos de rua. Para ele, além de suprir a ausência das escolas de samba, cujos desfiles foram cancelados por falta de apoio do Governo de Brasília, os grupos independentes ajudam a mudar o estigma da cidade. “Cada vez mais, as pessoas aprendem que Brasília tem Carnaval de rua forte”, reforça.
“Pegamos influências de todo o Brasil. Tem frevo, samba, maracatu, o que você quiser”, elogia o organizador. Sousa lembrou que o patrocínio da Ambev, anunciado na última quinta-feira, ajudará o movimento a ganhar corpo e alcance. Conforme mostrou o JBr. na semana passada, a empresa vai apoiar 47 blocos com dinheiro, estrutura e divulgação.
Ontem, além da presença de foliões fantasiados e desinibidos no Setor Bancário Norte, houve uma volta ao redor do setor com direito à orquestra de frevo. Segundo o organizador Mauricio, foi o “primeiro bloco grande a sair nesse Carnaval do DF”.