Ana Clara Arantes
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Passado o prazo estimado para o corte, o mato alto ainda pode ser visto em diversos pontos do DF. A via Estrutural e a região do P Sul, em Ceilândia, por exemplo, estão sujeitas à proliferação de animais peçonhentos e aos demais perigos inerentes a esta situação.
A Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) havia previsto que todo o trabalho seria concluído até 15 de janeiro – isso depois de já ter protelado o prazo, no ano passado. Mas, segundo a instituição, o entrave foi o atraso na licitação de roçagem, devido à burocracia. A Novacap aponta ainda o volume de grama acumulado ao justificar a demora, mas assegura que, em breve, todos os locais estarão com a roçagem em dia.
Para Regina Andrade, 38, doméstica, o mato alto é sinal de perigo: “Todo dia atravesso a Estrutural, com mato alto, cheio de buracos que a gente não vê, com risco de cairmos e nos machucarmos”, relata. Ela ainda pontua sobre a criminalidade: “Eu pego ônibus aqui toda tarde e agradeço por não ter que pegar à noite. Esse mato alto é um convite para os bandidos se esconderem”, observa.
No P Sul, a grama já se tornou um matagal e os moradores são unânimes: a situação é de abandono. Apesar de a roçagem ter começado, o serviço ainda não chegou em toda região.
Celi Lima, 35, professora, conta que a espera pelo corte durou em torno de sete meses. No lugar em que ela mora, na região do Pró-DF, as máquinas ainda não chegaram. “A grama está batendo na cintura. É um perigo porque o mato prejudica a visibilidade, então não sabemos onde estamos pisando. E pior, alguém pode se esconder por ali, o que aumenta nossa insegurança”.
Celi acredita que o governo dá mais atenção ao Plano Piloto: “Essa semana fui à Asa Sul e lá estava tudo podado, um cenário completamente diferente do que estamos acostumados por aqui”, compara.
Nivaldo Borges, 51, gerente de esportes, considera que a situação já passou dos limites. “O governo não toma providências. Onde tem mato alto já virou, inclusive, ponto de drogas. A situação está crítica. O P Sul está em situação de extremo abandono”.