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Brasília

Posto erguido às margens da EPTG não tem aval da ANP

Arquivo Geral

21/09/2014 9h00

O posto irregular em construção em Vicente Pires pode representar mais do que o descumprimento de normas burocráticas. Moradores e comerciantes  se mostram inseguros com  a obra não autorizada, devido à presença de um estoque de combustível nas proximidades. E sem a documentação necessária, ainda por cima, pode ser que o estabelecimento sequer consiga aval para exercer sua principal atividade: revender combustível.

De acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), para revender legalmente o produto, é preciso apresentar uma série de papéis com verificações ambientais, licenciamentos e laudo do Corpo de Bombeiros. Sem a possibilidade de concessão de alvará, por se tratar de uma área em regularização, não haveria, em tese, a possibilidade de a Calltech, empresa responsável pelas obras no terreno, entrar no mercado sob anuência da agência.

A empresa em questão é ligada a José Olimpio Queiroga Neto,  ex- sócio do bicheiro Carlinhos Cachoeira,  ambos investigados pela Polícia Federal pela exploração de jogos de azar.  

Conforme mostrou a reportagem de sexta, a única licença à disposição da empresa é a de Instalação, concedida pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram), que já havia emitido a Licença Prévia (LP). O órgão reafirmou que a Calltech apresentou os requisitos necessários  e apontou a existência de um “parecer técnico, emitido pela Administração Regional de Vicente Pires, favorável ao empreendimento”.

Indagada sobre tal documento, a administração, que na reportagem anterior    afirmou não ter conhecimento  nem ter emitido autorização para o desempenho da atividade comercial  no local, não respondeu à nova demanda.

Segurança

Empresária e residente de Vicente Pires há 17 anos, Rosângela Ferreira, 48, teme por sua segurança, já que mora perto do posto em obras. “Já pensou se acontece alguma coisa e eu perco tudo? Deus me livre!”, diz.

Ela admite a necessidade do serviço na região, mas acredita que o local escolhido foi o pior possível. “Fica perto da mata onde mora um bando de miquinhos e em cima de uma mina d’água. Se furar o solo em meio metro é capaz de jorrar água”, aponta. 

Especificações técnicas devem ser respeitadas

O professor de hidrogeologia da Universidade de Brasília (UnB)  José Elói Guimarães Campos  confirma a existência de aquíferos na região, mas diz que só há motivo para preocupação caso não haja competência, o que, segundo ele, infelizmente, é comum. 
 
“O posto tem que ser projetado para ter diâmetro maior na parte inicial e duas polegadas de concreto ao redor, isolando-o. Se não houver responsabilidade técnica, eles podem ser agentes de contaminação”, explica.
 
Se essa e as demais normas forem respeitadas, o posto  atenderia muito bem essa região. É o que defende João Alves Lobo,  40 anos, dono de uma loja de conserto de bicicletas, próxima à obra. “Quem vem fazer serviço aqui precisa ir para Águas Claras ou Taguatinga para abastecer. Mas e se acontecesse um acidente? De quem seria a responsabilidade?”, questiona.
 
O autônomo Cícero Alves da Silva,   60 anos, tem, ainda, outra preocupação: a violência. “Posto é chamariz de bandido hoje em dia. Assaltam em plena luz do dia. E ali, às margens da EPTG, acho que   seria perigoso”, especula o  dono de uma floricultura ao lado do terreno. Ele afirma ter sua propriedade, onde também mora com a família, há quase 20 anos.

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