Vizinhança silenciosa, belas casas, pouco trânsito, contato com a natureza. Assim poderia ser descrita a região do Taquari, se não fosse por um “detalhe” a mais: a violência. Nos últimos meses, diversos assaltos e tentativas de invasão a residências têm assustado a vizinhança, que para evitar esse tipo de situação se mobilizou em prol da segurança do próprio bairro.
A administradora Teresa Lopes, 46 anos, já teve a casa invadida quatro vezes. Segundo ela, nas duas últimas o ladrão usou a obra do terreno ao lado para observar a movimentação. “Foram duas invasões em uma semana. Na segunda, eu chamei a polícia e ele foi preso”, conta.
Diante dessas e de outras ocorrências, os moradores criaram um grupo no WhatsApp, aplicativo de mensagens para celular, com o intuito de monitorar o bairro e trocar informações de segurança.
Prevenção
O militar da reserva do Exército Rolant Vieira, 49 anos, está auxiliando a vizinhança nesse grupo, dando dicas. “Entre as recomendações estão não parar o carro na garagem sem o portão estar completamente aberto, observar movimentação suspeita e verificar os dispositivos de segurança com frequência”, enumera.
Rolant diz que o modus operandi dos ladrões tem sido o mesmo: “Eles ficam na região observando as casas. Se notam que alguma está vazia, tentam invadir , cortando fios da cerca, forçando a porta”.
A interação dos vizinhos é uma das principais armas contra a criminalidade, diz o militar. “Se você conhece a pessoa que mora na casa ao lado, isso facilita o monitoramento e traz mais segurança a todos”, ressalta.
A medida tomada, segundo Rolant, é um complemento para a segurança da região, que, de acordo com ele, tem rondas. “A polícia vem aqui, porém eles não podem ficar estacionados o dia inteiro. Como os criminosos vigiam muito bem o Taquari, eles esperam a saída das autoridades para poder agir”.
Nem as cercas elétricas intimidam
Também moradora da região, a analista de políticas sociais Stella da Matta, 37, já sofreu uma tentativa de assalto e em outra oportunidade o roubo foi consumado. “Minha filha estava em casa, mas estava dormindo. Eles cortaram a cerca elétrica e roubaram os objetos de valor que estavam ao alcance deles, isso por volta das 10h”, contou.
Segundo ela, os criminosos monitoram a região muito bem graças à grande quantidade de mata, lotes vazios entre uma casa e outra e residências em construção, que servem como esconderijo.
Parque
Outro ponto que facilitaria a ação dos assaltantes é o Parque Ecológico do Taquari, uma vez que, na avaliação de Stella, a ausência de cercas deixa a área completamente aberta e livre para o trânsito de pessoas a qualquer hora.
De acordo com a moradora, na última terça oito residências sofreram tentativa de invasão. “À tarde, à noite, de manhã. Não tem um horário que os impeça”, conta.
Outra vítima de uma tentativa de assalto a residência, a estudante Luiza Cartes, 27 anos, assim como Stella, integra o grupo de moradores que estão no grupo de segurança. “Eu era meio desligada com essas questões até a tentativa de invasão à minha casa. Eles cortaram o fio da cerca elétrica, mas na sequência o alarme disparou. Foi o que espantou os bandidos”, relata.
Mobilização
Diante de tantos relatos, os moradores se sentem inseguros. Mas agora, com a mobilização pelo celular, esperam que a paz prevaleça no dia a dia. “Na nossa rotina corrida, nem nos preocupamos em conhecer o nosso vizinho. Com o grupo, isso mudou. Nós nos unimos, pois todos aqui têm um objetivo em comum: a segurança de nossas moradias”, diz a administradora Teresa Lopes.
Versão oficial
Procurada pela equipe do Jornal de Brasília, a Polícia Militar informou que está intensificando o policiamento motorizado que é empregado no Taquari e adjacências durante este final de semana, e buscará um contato mais próximo com os moradores da comunidade, para garantir mais segurança ao local.