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Brasília

População se une para conter a violência no Taquari

Arquivo Geral

26/07/2014 9h30

Vizinhança silenciosa, belas casas, pouco trânsito, contato com a natureza. Assim poderia ser descrita a região do Taquari, se não fosse por um “detalhe” a mais: a violência. Nos últimos meses,   diversos assaltos e tentativas de invasão a residências têm assustado a vizinhança, que para evitar esse tipo de situação se mobilizou em prol da segurança do próprio bairro.

A administradora Teresa Lopes,   46 anos, já teve  a casa invadida quatro vezes. Segundo ela, nas duas últimas o ladrão usou a obra do terreno ao lado para observar a movimentação. “Foram duas invasões em uma semana. Na segunda, eu chamei a polícia e ele foi preso”, conta. 

Diante dessas e de outras ocorrências, os moradores criaram um grupo no WhatsApp, aplicativo de mensagens   para celular, com o intuito de monitorar o bairro e trocar informações de segurança.

Prevenção

O militar da reserva do Exército  Rolant Vieira,   49 anos,   está auxiliando a vizinhança nesse grupo, dando dicas. “Entre as recomendações estão não parar o carro na garagem sem o portão estar completamente aberto, observar   movimentação suspeita e verificar os dispositivos de segurança  com frequência”, enumera. 

Rolant diz que o modus operandi dos ladrões tem sido   o mesmo: “Eles ficam na região observando as casas. Se notam que alguma está vazia,   tentam invadir , cortando fios da cerca, forçando a porta”.

A interação dos vizinhos é uma das principais armas contra a criminalidade, diz o militar. “Se você conhece   a pessoa que mora na casa ao lado, isso facilita o monitoramento e traz mais segurança a todos”, ressalta. 

A medida tomada, segundo Rolant, é um complemento para a segurança da região, que, de acordo com ele, tem rondas. “A polícia vem aqui, porém eles não podem ficar estacionados  o dia inteiro. Como os criminosos vigiam muito bem o Taquari, eles esperam a saída das autoridades para poder  agir”.

Nem as cercas elétricas intimidam
 
Também moradora da região, a  analista de políticas sociais Stella da Matta, 37, já sofreu uma tentativa de assalto e em outra oportunidade o roubo foi consumado. “Minha filha estava em casa, mas estava dormindo. Eles cortaram a cerca elétrica e roubaram os objetos de valor que estavam ao alcance deles, isso por volta das 10h”, contou.
Segundo ela, os criminosos monitoram a região muito bem graças à grande quantidade de mata, lotes vazios entre uma casa e outra e residências em construção, que servem como esconderijo. 
 
Parque
 
Outro ponto que   facilitaria a ação dos assaltantes é o Parque Ecológico do Taquari, uma vez que, na avaliação de Stella, a ausência de cercas   deixa a área  completamente aberta e livre para o trânsito de pessoas a qualquer hora. 
De acordo com a moradora, na última terça  oito residências sofreram   tentativa de invasão. “À tarde, à noite, de manhã. Não tem um horário que os impeça”, conta.
 
Outra vítima de uma tentativa de assalto a residência, a estudante  Luiza Cartes,  27 anos, assim como Stella, integra o grupo de moradores que estão no grupo de segurança. “Eu era meio desligada com essas questões  até a tentativa de invasão à minha casa. Eles cortaram o fio da cerca elétrica, mas na sequência o alarme disparou. Foi o que   espantou os bandidos”, relata.
 
Mobilização
 
Diante de tantos relatos, os moradores se sentem inseguros. Mas agora, com a mobilização pelo celular, esperam que a paz prevaleça no dia a dia. “Na nossa rotina corrida, nem nos preocupamos em conhecer o nosso vizinho. Com o grupo, isso mudou. Nós   nos unimos, pois todos aqui têm um objetivo em comum: a segurança de nossas moradias”, diz a  administradora Teresa Lopes.
 
Versão oficial
 
Procurada pela equipe do Jornal de Brasília, a Polícia Militar informou que está intensificando o policiamento motorizado que é empregado no Taquari e adjacências durante este final de semana, e buscará um contato mais próximo com os moradores da comunidade, para  garantir mais segurança ao local.

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