A Operação Decantação desarticulou na manhã desta terça-feira (9), o esquadrão de extermínio do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Goiás (PMGO) que estava sendo investigado pela execução de Thiago Augusto Mota Rodrigues, de 27 anos, no dia 9 de maio em uma matagal próximo a DF 290. Dos quatro policiais investigados, dois estão presos e outros dois foragidos. Segundo informações do delegado-chefe da 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria), Flamarion Vidal, os policiais envolvidos tem um histórico violento e costumavam torturar suas vítimas.
Segundo Vidal, há vários indícios e testemunhas que identificaram os militares com a vítima no dia do crime. Ainda de acordo com o delegado, foram expedidos pela justiça quatro mandados de prisão contra os membros da polícia militar goiana, que, de acordo com as investigações, iriam executar outra pessoa nesta semana. O sargento Juvenal Almeida Alves, o soldado Luiz Felipe da Silva, o cabo Markus Christian de Oliveira Gomes e o soldado Neurivaldo Souza foram indiciados pelo crime de homicídio qualificado.
Crime
Na noite do dia 9 de maio, os quatro policiais envolvidos foram em uma conhecida zona de tráfico no Valparaíso II. Com a chegada dos militares, Thiago tentou fugir e, no momento em que pulava o muro para a casa do vizinho, foi atingido por um disparo na barriga, caindo na casa ao lado. “Os membros do Choque entraram na casa, ordenaram que as testemunhas não olhassem e arrastaram Thiago pelo pé até a viatura”, conta o delegado-chefe Flamarion Vidal.
“Elas narram que Thiago avisava que seria executado por policias do Choque por se negar a pagar propina do tráfico”, disse o delegado. Durante o desespero do rapaz, um dos policias bateu com a arma na boca do rapaz, que perdeu alguns dentes. Após esta ação, Thiago desapareceu.
“No lugar de leva-lo à delegacia ou hospital, [os militares] resolveram levar a vítima a uma local isolado nas proximidades de Santa Maria e executaram Thiago com mais cinco disparos”, afirmou o delegado-chefe.
Perícia
O corpo do rapaz de 27 anos foi encontrado no dia seguinte, 10 de maio, em uma estrada de terra próxima a cidade de Santa Maria. Um morador da região encontrou a trilha de sangue e seguiu. Após caminhar alguns metros, encontrou o corpo e acionou a polícia.
Segundo a perícia, Thiago Augusto Mota Rodrigues foi atingindo por seis disparos de uma arma calibre .40, restrita as forças de segurança. Um dos disparos atingiu a barriga, dois as costas e três a cabeça. Ainda foi constatado que Thiago foi executado de joelhos, sem chance de reação.
Investigação
A polícia não descarta a hipótese de que os quatro militares fizessem parte de um grupo de extermínio. De acordo com Flamarion Vidal, no histórico dos policiais existem diversos registros sobre violências e torturas. Uma execução em Santa Maria com dez disparos de armas de fogo, no ano passado, é um dos casos investigado. Segundo o delegado, é um dos casos de torturas, eles introduziam o cassetete no ânus das vítimas. O inquérito deve ficar pronto em aproximadamente 30 dias. O sargento Juvenal Almeida Alves e o soldado Luiz Felipe da Silva, que estão detidos, foram encaminhados para a Carceragem Militar de Goiás, em Goiânia.
Esta operação não tira a credibilidade da PM, apenas separa o policial do bandido. “Nós sabemos que a Polícia do Goiás é honesta, mas nesse caso específico, foram identificados criminosos fardados”, conclui o delegado.