Luís Augusto Gomes
luisaugusto@jornaldebrasilia.com.br
A falta de medicamentos nos hospitais de rede pública do Distrito Federal, onde pessoas de todas as idades sofrem com as constantes filas em busca de remédios, pode estar associada a um grande esquema liderado por quadrilhas especializadas que atuam dentro da Secretaria de Saúde para furtar medicamentos. Investigadores da Delegacia de Repressão a Furtos (DRF) prendeu um casal, em flagrante, no momento em que descarregava um caminhão com mais de 140 caixas de cloreto de sódio e 12 caixas de glicose. Um motorista acusado de fazer parte do grupo está sendo procurado.
Em junho, servidores da Secretaria de Saúde também foram presos pela polícia sob a acusação de falsificar a assinatura de um diretor para livrar de multas, estimadas em R$ 800 mil, uma empresa responsável pelo fornecimento de remédios e materiais à rede pública.
A prisão, realizada na tarde de quinta-feira, ocorreu depois que a DRF recebeu uma denúncia anônima. Segundo o informante, cujo nome é mantido em sigilo, havia um caminhão, placa JID 5817-DF, pertencente à Secretaria de Saúde, descarregando caixas de medicamentos em um lote, onde havia três casas, na QND 3, em Taguatinga Norte. O delegado-chefe, Alberto Vieira Passos, foi ao local com mais quatro policiais.
No momento em que chegaram ao endereço, o motorista e o caminhão já haviam deixado o local. Porém, em uma das casas, os policiais encontraram 70 caixas com 30 unidades cada de cloreto de sódio a 0,9%, 500ml, marca Kabipac; 44 caixas com 20 unidades cada de cloreto de sódio a 0,9%, 500ml, marca Halexistar; e 12 caixas com 20 unidades cada de glicose a 5%, 500ml, marca Segmento.
Todas as embalagens dos medicamentos continham as inscrições “venda proibida pelo comércio” e “embalagem hospitalar”. A casa onde a polícia encontrou o material pertence a Rossana Alves Lima da Silva, 45 anos, analista de análise patológica da Secretaria de Saúde e lotada na Policlínica, na C12, próximo ao antigo Cine Paranoá, em Taguatinga Centro, e ao marido dela, o também servidor público Clarisvaldo Pereira da Silva, 54 anos. Rossana é servidora do GDF há 25 anos e pode ser demitida a bem do serviço público.
De acordo com o delegado Alberto Passos, o casal recebeu voz de prisão em flagrante e foi autuado por receptação dolosa. Clarisvaldo passou mal e precisou ser levado ao hospital, mas já está recuperado e preso no Departamento de Polícia Especializada (DPE), no Parque da Cidade.