Manuela Rolim
Especial para o Jornal de Brasília
Um homem suspeito de matar um morador de rua e jogar o corpo da vítima em um matagal no Setor de Inflamáveis, no Guará, há quase duas semanas, foi preso pela Polícia Civil. Selino Sutero da Silva, conhecido como “Pai Véio”, contou com a ajuda de três menores, dois com 15 anos e um com 17, para cometer o crime. A prisão temporária do acusado foi decretada na última quinta-feira, quatro dias após o assassinato. A vítima ainda não foi identificada.
Segundo o delegado Johnson Kenedy, da 4ª Delegacia de Polícia (Guará), responsável pelo caso, as investigações avançaram rapidamente graças aos depoimentos de testemunhas e imagens de câmeras de segurança instaladas próximas ao local onde o cadáver foi encontrado. “As informações nos levaram até o veículo utilizado pelos autores para desovar o corpo no matagal. O carro era produto de roubo e foi apreendido uma dia antes da prisão do suspeito. Na ocasião, ele foi detido em flagrante por receptação junto com um dos menores. Sabíamos que existia uma ligação entre as ocorrências e, no dia seguinte, aproveitamos que ele já estava recolhido e cumprimos o mandado de prisão pelo homicídio”, explica ele.
O delegado acrescenta que, ao ser preso, Selino negou qualquer participação no assassinato do morador de rua, mas, para a polícia, não restam dúvidas do envolvimento dele no caso. “O menor confessou o crime e deu detalhes de como os quatro suspeitos agiram”, completa Kenedy. Ele relata ainda a dinâmica do homicídio. “A vítima teria sido executada na casa do Selino, em Taguatinga. Em depoimento, o menor disse ainda que o morador de rua foi embalado em um tapete, colocado no porta-malas do carro, jogado na área do Setor de Inflamáveis e, por último, carbonizado. Não por acaso, encontramos restos do tapete durante a perícia, além do cadáver com as mãos e o pescoço amarrados”, afirma. Os outros dois menores foram apreendidos na residência do Selino.
O motivo do crime foi acerto de contas. “O suspeito distribuía drogas para serem revendidas no centro de Taguatinga e de Brasília. A vítima era uma das pessoas que pegavam o material e repassavam, mas estava com uma dívida de aproximadamente R$ 1 mil, há cerca de três meses, com o chefe do esquema”, explica o delegado. Segundo ele, Selino armou para sequestrar a vítima. “No sábado (15) à noite, o suspeito encontrou o morador de rua no Plano Piloto. Lá, Selino cobrou a dívida mais uma vez e propôs um acordo para a vítima. Na ocasião, ele disse que lhe entregaria mais droga para ser revendida e, com o dinheiro, a vítima o pagaria. Logo em seguida, Selino o chamou para ir buscar a suposta substância no carro e o levou para a sua casa, onde o executou na madrugada” afirma Kenedy.
Ainda de acordo com o delegado do caso, Selino tem dez passagens pela polícia, sendo uma quando menor, por roubo, furto, falsificação de documentos, porte ilegal de arma de fogo e receptação. Ele estava cumprindo pena em regime semi-aberto. Agora, vai responder por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menores. A pena pode chegar até 30 anos de prisão. “A qualificação considera a impossibilidade de defesa da vítima, o motivo fútil e o meio empregado no crime”, conclui Kenedy.
As imagens abaixo mostram o momento em que os autores desovam o corpo no matagal, no Setor de Inflamáveis, no Guará. Assista ao vídeo e ouça a explicação do delegado.
Continuação.