Por Késia Alves e Daniel Xavier
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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga a morte de três pacientes na Unidade de Tratamento Intensiva do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Até o momento, a apuração descartou eutanasia e afirmou que não se tratou de um pedido das famílias das vítimas ou decisão médica.
Segundo a PCDF, pode-se afirmar com segurança de que as famílias não autorizaram a aplicação das substâncias e que, além disso, não foi uma decisão médica para aliviar o sofrimento. Desse modo, a motivação ainda é desconhecida.
No entanto, as investigações analisam possibilidades em torno de motivação financeira indireta, atuação em grupo organizado e até mesmo comportamento psicopático e eventual existência de vínculos ideológicos ou simbólicos que possam ter influenciado as ações. Contudo, todas as hipóteses dependem ainda de provas concretas.
A polícia destaca que nenhuma das hipóteses foi confirmada até o momento e que todas estão sendo analisadas com cautela no curso das investigações.
O caso
As investigações tiveram início após o próprio Hospital Anchieta comunicar à polícia, na véspera do Natal, a identificação de possíveis homicídios ocorridos na UTI. A suspeita surgiu durante a atuação da comissão de óbito da unidade, responsável por analisar mortes com o objetivo de aprimorar protocolos e o atendimento hospitalar. O Jornal de Brasília relevou o caso em primeira mão.
Segundo a PCDF, no dia 19 de novembro, dois pacientes internados na UTI morreram em circunstâncias consideradas atípicas. A análise de imagens das câmeras de segurança apontou comportamento fora do padrão por parte de três técnicos de enfermagem. No dia 1º de dezembro, uma terceira morte com características semelhantes foi registrada, o que reforçou as suspeitas.
Investigados e modo de agir
A investigação aponta que um técnico de enfermagem de 24 anos seria o principal responsável pelas aplicações das substâncias nas vítimas. Conforme apurado, ele teria se aproveitado do sistema hospitalar aberto e logado em nome de um médico para alterar prescrições, retirar o medicamento na farmácia, prepará-lo e aplicá-lo diretamente na veia dos pacientes. Em pelo menos um dos casos, após o fim do medicamento, o suspeito teria injetado desinfetante mais de dez vezes em uma das vítimas.
Outras duas técnicas de enfermagem, de 22 e 28 anos, também são investigadas por participação. Uma delas teria auxiliado na retirada do medicamento na farmácia e ambas estariam presentes no momento das aplicações.
As análises periciais, feitas pelo Instituto Médico Legal (IML) e pelo Instituto de Criminalística, confirmaram que as substâncias utilizadas, embora comuns no ambiente hospitalar, podem causar parada cardíaca e morte quando administradas fora dos protocolos médicos.
Prisões
As prisões temporárias dos três suspeitos foram realizadas em Brazlandia, Ceilândia e Águas Lindas. Além disso, ocorreram no âmbito da Operação Anúbis, conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP). O caso tramita sob segredo de justiça, o que impede a divulgação dos nomes dos investigados.
Vítimas
As vítimas identificadas até o momento são uma professora aposentada de 75 anos, um servidor da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), de 63 anos, e um jovem de 33 anos, que deixou esposa e uma filha de cinco anos. As informações são da PCDF.