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Brasília

Polícia Federal apresenta esquema de segurança internacional para a Copa do Mundo

Arquivo Geral

09/06/2014 19h23

A Polícia Federal do DF apresentou as estratégias e ações que serão realizadas pelo Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI) nesta segunda-feira (9). O Centro, organizado especialmente para a Copa do Mundo, contará com a presença de policiais dos 31 países convocados para o Mundial e a participação de mais seis países que foram convidados especialmente para o evento. Esses países estarão ligados à três organismos internacionais: Interpol, Ameripol e o Escritório das Nações Unidas Sobre Drogas e Crimes (UNODC). 

A segurança do mundial contará com a atuação de 75 agentes federais e o auxílio de 205 policiais estrangeiros que irão atuar tanto no Centro quanto nas equipes móveis. Grande parte dos policiais internacionais acompanharão as respectivas delegações nas cidades-sedes que suas seleções irão jogar. A Polícia Federal representa a Interpol no Brasil e está conectada com mais 189 países. Além dos países que já estão interligados à CCPI, a PF poderá manter contato com os demais países que não puderam estar no Brasil durante a Copa, facilitando o envio e solicitação de informações. 

Esquema de segurança

O coordenador geral da CCPI, Luiz Cravo, explica a importância da atuação dos policiais estrangeiros no esquema de segurança exclusivo para Copa do Mundo. “Esses países não tem poder policial no Brasil. Eles irão atuar como oficiais de ligação, então, em caso de algum evento, eles terão de se reportar ao coordenador de arena para que estes tomem as providências necessárias. A PF acredita que esse elo entre as polícias é importante para que nós possamos atuar. Os policiais estrangeiros irão apenas assessorar o coordenador de arena para casos de distúrbios, crimes e violência que aconteçam durante o mundial”, explica. 

Além da coordenação, os policias de cada delegação estarão devidamente uniformizados para facilitar o acesso e identificação. “A uniformização desses policiais no estádio facilita a identificação por parte de suas torcidas, então facilitará a troca de informações dentro da  arena. Esses policiais já conhecem os chefes de torcida e suas próprias torcidas, então o uniforme correto viabilizará a rapidez de todo o processo”, afirma o coordenador. 

Torcedores barrados

O estrangeiros que poderão ser barrados nos estádios já estão inseridos nos dados no Sistema Nacional de Procurados e Impedidos. Caso esse estrangeiro passe pelo posto oficial da PF, o agente de imigração terá capacidade de identificá-lo e não permitir a entrada. 

Segundo o coordenador, a principal preocupação da polícia com relação às torcidas é prevenir a entrada de estrangeiros que já estejam “barrados” em seus países. “Foi realizado um trabalho preventivo. A PF possui banco de dados de imigração, e fizeram um levantamento de dados e podemos impedir os torcedores que julgamos ‘inconvenientes’. Nós tivemos informações prévias de quem seriam essas pessoas que habitualmente, causavam distúrbios em seus países e as mesmas já estão inseridas em nosso sistema.  A nossa preocupação é ter informações úteis e imediatas de alguma ocorrência nos estádios” explicou Cravo. 

De acordo com o assessor de relações internacionais Valdecy Urquiza, ele afirma que “mesmo com a barreira, ainda existem fronteiras secas, não impedindo que essa pessoa ingresse no país clandestinamente”. A PF inseriu no banco de dados estrangeiros que foram condenados em seus países por abusos sexuais. Esses torcedores violentos foram chamados pela PF de “barra brava”.

Lista dos banidos

A assessor ainda ressalta que os países que irão participar do esquema de segurança da Copa precisam enviar uma lista dos torcedores que foram punidos em seus países. A Argentina encaminhou à PF uma lista com cerca de dois mil torcedores argentinos que estão banidos do seu país, seja por determinação judicial ou por determinação dos próprios clubes por envolvimento em atos de violência.

Os países que não puderam enviar as listas de torcedores possuem o compromisso de não permitirem a saída dessas pessoas de seus países, como a Inglaterra, Alemanha e Bélgica. “Eles mantêm esses controle de seu próprio país, mas a CCPI não será informada sobre o assunto, sendo este estrangeiro de inteira responsabilidade do país de origem”, afirma o assessor.

F ainda solicita a lista aos países que não têm o controle dos torcedores. Esses dados serão incluídos na chamada “Difusões Interpol”, que são canais de difusão de dados entre os países. Atualmente, fazem parte desse sistema nacional da PF cerca de 30 mil difusões Interpol, entre difusões vermelhas, verdes, azuis e amarelas, cada uma com sua finalidade. Esse sistema servirá para a prevenção e contenção de todos os crimes, não apenas de torcedores banidos de seus países.

A CCPI

O Centro de Cooperação Policial Internacional teve suas atividades iniciadas formalmente na data desta segunda-feira (9) e irá funcionar de forma ininterrupta até o dia 15 de Julho. As 31 equipes de policiais estrangeiros, fora as seis que foram convidadas estrategicamente para a segurança durante o mundial, irão trabalhar 24h por dia, sete dias por semana em revezamento de turnos ao lado de policiais brasileiros. 

Cada equipe classificada para a Copa pôde indicar até quatro policiais de seus países para integrar as equipes móveis brasileiras. Essas equipes irão se deslocar de Brasília a partir desta quarta-feira (11) e vão acompanhar os jogos nas cidades-sedes, onde irão competir. 

Este esquema operacional foi definido desde o ano passado, onde foi feito um piloto na Copa das Confederações de 2013. “A expectativa é que nós tenhamos, só para a área internacional, em torno de 300 policiais trabalhando entre agentes estrangeiros e brasileiros”, afirma o coordenador Luiz Cravo. 

O Centro terá acesso à todas as bases de informação de inteligencia da polícia federal e dos países participantes, além de acesso à todas as câmeras dos estádios e à câmeras espalhadas estrategicamente nas cidades, aeroportos e onde houver grande aglomeração de torcedores, sempre garantindo a integridade e segurança dos torcedores durante o evento. 

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