Marina Marquez
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Os adolescentes não têm noção do perigo que alguns usos da internet podem trazer. A declaração é do delegado da Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente do Distrito Federal (DPCA), Alexander Traback. Para ele, esse é um dos motivos que faz com que o número de denúncias de pornografia infantil na capital federal seja pequeno. No DF não existem estatísticas, mas em todo o Brasil, só no mês de julho deste ano, 1.873 denúncias de pornografia infantil foram registradas, o correspondente a 34% do total de crimes da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos.
“O maior problema da exposição desses jovens que colocam vídeos de cenas íntimas, fotos sensuais e outras coisas é que eles ficam disponíveis a qualquer usuário na internet, atraindo pessoas de má índole, com predisposição à pedofilia, por exemplo”, afirma o delegado. Segundo ele, o número de denúncias em Brasília é relativamente pequeno e a maioria dos casos registrados é referente à exposição de pornografia em redes sociais, como o orkut. “Não dá para afirmar com certeza se existem poucos casos ou se poucas denúncias. Mas, pela experiência, acredito que o jovem ainda não tem noção do que é e não é crime. E quando ele coloca fotos sensuais em uma página de orkut, por exemplo, mesmo que as fotos sejam suas, é um ato infracional. É transmissão de material pornográfico infantil”, revela.
Quando os casos chegam até a DPCA, o primeiro passo, de acordo com o delegado, é procurar ajuda da Divisão de Repressão aos Crimes de Alta Tecnologia (Dicat) para encontrar mais informações sobre a divulgação do material, alcance etc. E o delegado da DICAT, Sílvio Castro, afirma que pode ser difícil, mas o responsável pela divulgação é identificado. “Se a pessoa divulga o material de pornografia infantil em rede aberta, como é o caso de jovens que colocam fotos e vídeos nos sites de relacionamento para exposição própria, é mais fácil, porque todos têm acesso. Mas mesmo quando a rede é fechada e tratam-se de quadrilhas ou adultos divulgando material infantil, conseguimos identificar o autor”, explica.
O especialista em cyberespaço e professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Lucio Teles, concorda com a visão da polícia. “A exposição das crianças e adolescentes, principalmente em redes sociais, está se tornando cada vez mais comum. E como nesse ambiente as informações são divulgadas muito facilmente por esses jovens, como endereço, telefone, fotos e viagens, os ‘predadores’ do mercado de pornografia e pedofilia infantil acabam tendo acesso”, explica.
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