ISADORA ALBERNAZ
FOLHAPRESS
Quatro policiais militares foram afastados de uma escola cívico-militar em Brasília depois de o Sindicato dos Professores no Distrito Federal relatar que alunos teriam sido obrigados a realizar flexões no pátio em punição por vestirem casacos e calças em cores não permitidas. O colégio negou as alegações e disse que a participação na atividade foi voluntária.
O caso ocorreu na última quarta-feira (25) no CED (Centro Educacional) 01 da região administrativa do Itapoã e foi registrado em vídeo. Nas imagens, é possível ver dezenas de adolescentes reproduzindo os movimentos de um PM. O agente não foi identificado.
Em nota, a PM-DF (Polícia Militar do Distrito Federal) disse ter determinado a substituição dos envolvidos na data do episódio e informou que uma investigação foi aberta para “o completo esclarecimento dos fatos” e eventual adoção de medidas administrativas contra os policiais.
“A corporação ressalta que não compactua com qualquer prática que possa ser interpretada como constrangedora ou inadequada ao ambiente escolar”, afirmou.
A Secretaria de Educação do Distrito Federal afirmou que houve um “equívoco na condução” do episódio e que autorizou as substituições imediatas dos militares. A pasta também disse que “nenhum estudante será prejudicado em suas atividades escolares por eventual ausência ou inadequação de vestimenta”.
“A SEEDF reforça o compromisso com os princípios previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente e na Constituição Federal do Brasil de 1988, que asseguram a proteção integral e a dignidade de crianças e adolescentes, e segue acompanhando o caso para que o ambiente escolar permaneça seguro, pedagógico e respeitoso para toda a comunidade.”
Após a repercussão, a diretora do CED 01, Antônia Teixeira de Sá, publicou um vídeo nas redes sociais em que rebate a versão do sindicato e afirma que “não vai se calar perante a difamação” do colégio. “Não existe tortura na escola, não existe obrigação de pagar flexão. O que aconteceu foi um procedimento que normalmente acontece”, declarou.
Segundo ela, é normal que alunos que cheguem atrasados ou sem o uniforme adequado passem por um momento de “formação”. Na data do ocorrido, estudantes que optaram por não participar da atividade teriam “desafiado” policiais e colegas a fazerem mais do que as dez flexões propostas.
Um grupo de pais se reuniu no colégio no sábado (28) e criticou o afastamento dos PMs da instituição. Os responsáveis pelos estudantes argumentam que não se tratou de uma punição e que os alunos não teriam sido obrigados a realizar as flexões.
O caso ganhou repercussão depois da denúncia do Sindicato dos Professores. A diretoria da entidade disse considerar “inaceitável” o episódio e informou que apresentará um ofício ao Ministério Público do DF para que, caso se confirme que alunos foram obrigados a fazer flexões, os responsáveis sejam responsabilizados.
“Os estudantes estão na escola para estudar e se desenvolver como seres humanos, cidadãos e futuros profissionais. Continuamos em luta contra a militarização e reafirmamos: educar não é militarizar”, declarou, em comunicado.
A CED 01 do Itapoã passou a ser uma escola cívico-militar em 2019. Desde então, a Polícia Militar do Distrito Federal participa das funções disciplinares do colégio.