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Brasília

PM libera trecho da DF-430 e manifestantes voltam a ocupar área irregular

Arquivo Geral

24/10/2014 12h45

A retirada de uma invasão em área irregular gerou um confronto entre policiais e cerca de 500 manifestantes nesta sexta-feira (24). Toda a ação começou por volta das 9h, quando a Secretaria de Estado da Ordem Pública e Social do Distrito Federal (Seops – DF) iniciou uma operação de desocupação de uma área pública em frente as quadras 33 e 34 da Vila São José, em Brazlândia. Duas pessoas foram presas e outras duas ficaram feridas após o grupo apedrejar um ônibus que trafegava no local no momento da movimentação. A retirada dos barracos e a intervenção da polícia não impediu que os invasores voltassem a ocupar a área uma hora após a saída dos agentes.

Com a remoção dos barracos, os invasores decidiram bloquear três pontos da DF-430, por volta das 11h, com pedaços de madeira e restos de entulho. De acordo com um ocupante da área irregular, que preferiu não se identificar, a “barricada” foi colocada na via para chamar a atenção do governo. Segundo o Tenente Marcus Rogério, da Polícia Militar, a intervenção da corporação ocorreu após os manifestantes agredirem os bombeiros que tentavam apagar as chamas do obstáculo que impedia a passagem de carros na avenida.

Para Sirley Barbosa, 39 anos, a polícia abusou do poder para tentar combater o protesto. “Eles já chegaram com spray de pimenta”, contou. A mulher chegou ao assentamento na madrugada de terça-feira com a filha de 20 anos. A ação da polícia também foi sentida por moradores da área regular. Segundo Guilherme Dias da Silva, ele e alguns familiares estavam no portão de casa observando a manifestação quando os militares jogaram uma bomba de gás lacrimogêneo dentro do quintal de sua casa. Dentro da residência havia um bebê de dois meses que precisou ser levado às pressas para a casa da avó. “Eles estão errados, não podem fazer isso”, indignou-se. 

Ônibus atingido

Todo o protesto movimentou cerca de 500 pessoas, dentre invasores e moradores da região que se juntaram à manifestação. Um ônibus coletivo da viação São José que seguia para a W3 Norte chegou a ser atingido por pedras jogadas pelos vândalos. Segundo o motorista Gabriel Pereira de Abreu, ele passava pela rota da linha 421 quando viu a movimentação na avenida entre as quadras 33 e 34. “Eu acelerei o ônibus, mas mesmo assim eles conseguiram quebrar os vidros”, relata. 

O passageiro Aylton Brito, 23 anos, disse que o ônibus estava cheio e, no momento, todos abaixaram a cabeça para não se machucarem. No entanto, um adulto e uma criança ficaram com feridas causadas por estilhaços de vidros. Os dois foram encaminhados ao hospital da região e passam bem. 

Segundo a PM, dois líderes da manifestação foram detidos e encaminhados para 18ª Delegacia de Polícia da cidade. Entretanto, a esposa de um deles disse que o marido não tem ligação com nenhuma liderança. “Ele estava apenas pedindo para que o pessoal não ateasse fogo nos pedaços de madeira e foi preso”, afirmou a dona de casa Lorena Guerreiro, de 26 anos.

Até o fechamento desta publicação, a Polícia Civil não informou se os presos já haviam sido liberados. Um adolescente também foi apreendido por atirar pedras contra os policiais.

Ação

Desde a última terça-feira (21), cerca de 2000 pessoas ocupavam uma área próximo ao morro onde todos os anos ocorre a Via-Sacra da cidade. No local, segundo a Seops, haviam 4300 lotes demarcados com o auxílio de linhas de barbante, arames farpados e cordas, totalizando 4900 metros lineares de demarcação  – uma área de mais de 15 mil metros quadrados. Os barracos foram levantados com lona e pedaços de madeira. Em cada pedaço de terra que foi separado, placas indicavam o nome de quem se apropiou do local.

De acordo com um balanço da secretaria, nenhum dos barracos de madeira retirados estavam configurados como moradia, pois não tinham água, luz, ou mesmo móveis. “Boa parte dos que ocupavam o terreno já moram na cidade. Em operações como essa. Caso os ocupantes desejem, há o encaminhamento para abrigos públicos”, afirmou o órgão.

A ação de desocupação envolveu 180 agentes da Seops, 45 policiais militares da área, 18 policiais de Choque, 16 policiais da Patamo e seis viaturas. Equipes do Corpo de Bombeiros, Agefis, Terracap, Polícia Civil, CEB e Caesb também estiveram no local ao longo do dia.

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