Isa Stacciarini
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Pelo menos 17 caititus da mesma espécie, conhecidos popularmente como porcos-do-mato, foram encontrados mortos dentro do Parque Nacional de Brasília, às margens da barragem de Santa Maria. A represa abastece 70% da área central de Brasília e Plano Piloto.
A suspeita de fiscais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) é de que os animais possam ter sido envenenados por alguma espécie presente na plantação de chacareiros ao redor do Parque Nacional. Assim, após a ingestão, os caititus teriam ido em busca de água. Doze deles foram encontrados à margem direita da represa, e outros cinco ao lado esquerdo.
O chefe do Parque Nacional, Amauri Motta, explica que foi descartada a possibilidade de infecção por meio da própria água. “Se fosse isso, haveria outros animais mortos. Também descartamos a probabilidade de uma possível caça, já que estes caititus não têm marca de tiro por arma de fogo”, ressalta.
Segundo ele, este foi o primeiro caso de um número expressivo de animais mortos no parque em um período aproximado de 40 anos. “Os caititus são animais silvestres e há um grande número deles por toda a extensão do parque”, destaca.
Além disso, Motta afirma que dentro do parque não há plantações venenosas e, assim, o incidente poderia ter ocorrido com vegetações de fora da unidade. “Cada vez mais, isso se torna um aspecto negativo, já que há moradores no entorno da área ambiental”, destaca.
Realizada a inspeção por técnicos do ICMBio, houve a confirmação de que todos os porcos-do-mato eram adultos. Além disso, os fiscais do órgão estimam que o incidente teria ocorrido há pelo menos quatro dias, devido ao estado de decomposição dos corpos.
Os animais foram recolhidos pelas equipes da Policia Ambiental e Corpo de Bombeiros, além de veterinários da Zoonoses e da Universidade de Brasília (UnB). Os caititus foram levados para a Faculdade de Veterinária da Universidade de Brasília (UnB). Lá, especialistas irão pesquisar causa da morte. A estimativa é de que a necrópsia fique pronta em um prazo de 15 dias.
Antes da retirada dos porcos, biólogos do ICMBio avaliaram a melhor forma de operar sem que os corpos dos animais abrissem, o que poderia ocasionar uma contaminação da água e do solo, além da perda de material para análise da causa real da morte.
Durante o fim da manhã, os agentes da Polícia Ambiental chegaram ao local para fornecer apoio na segurança do Parque Nacional de Brasília, uma vez que se trata de uma área de proteção. Segundo os agentes, a recomendação da Caesb era de que a fiscalização fosse feita com o objetivo de não contaminar a água da barragem de Santa Maria, que se localiza a aproximadamente 15 quilômetros de Brasília.