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Brasília

Pílulas anticoncepcionais podem tratar, mas também trazem riscos

Arquivo Geral

16/11/2014 7h30

Elas medem meio centímetro e devem ser ingeridas diariamente. Parecem inofensivas, mas não as subestime: as pílulas anticoncepcionais, além da gravidez, podem evitar uma série de doenças, mas podem causar inúmeras outras. Inchaço, dores de cabeça e enjoos são alguns dos efeitos colaterais, mas há casos de pacientes que tiveram problemas mais graves, como trombose e até embolia pulmonar.  

O assunto veio à tona depois da postagem de um vídeo no Facebook, no qual a professora universitária Carla Simone Castro, 41,  diz ter sofrido uma trombose venosa cerebral, provocada  pelo uso de anticoncepcionais. A gravação, que já tem mais de dois milhões de visualizações, foi feita quando Carla ainda estava em um hospital de Goiânia (GO).   

“Nunca havia tomado anticoncepcional, mas sempre tive cólica por conta  de um mioma uterino. Após  uma bateria de exames, a ginecologista receitou o anticoncepcional Yasmin, do laboratório alemão Bayer”, conta. Após o início do tratamento, Carla começou a sentir dores de cabeça constantes. “Fui ao otorrinolaringologista e recebi um diagnóstico de sinusite. Ele me passou outros remédios, mas  continuei tomando o anticoncepcional normalmente”, lembra.

Mas as dores de cabeça não melhoraram. “Voltei ao médico, ele disse que eu estava com uma crise alérgica  e receitou um antinflamatório,  que piorou ainda mais o quadro”, relata. No dia seguinte, ao se olhar no espelho, o susto: Carla estava com um deslocamento de retina. “O médico achou que era alergia ao medicamento, pediu que eu suspendesse  o uso e procurasse um neurologista”, recorda.

Assim que chegou ao consultório neurológico, em agosto deste ano, a paciente foi diagnosticada com trombose,  caracterizada pela formação de coágulos sanguíneos dentro de uma artéria ou veia. “Alimesmo tive uma convulsão e precisei ser reanimada”, disse. Carla não possuia fatores de risco. “Não fumo e não bebo. Só não sei se tenho predisposição genética”, diz. A paciente defende a realização de exames para diagnosticar a predisposição antes de receitar o medicamento.

Carla Simone Castro e 28 vítimas lutam por mudanças. “Fiz uma denúncia junto ao Ministério Público com algumas reinvidicações”, declara. Segundo ela,  é preciso que  outras mulheres denunciem. “Depois que postei o vídeo já recebi mais de 1,1 mil depoimentos de vítimas”, afirma.

Segundo o ginecologista Hugo Maia Filho, a trombose  costuma ocorrer nos primeiros meses de uso do anticoncepcional. “Daí a necessidade de observar as reações no início do tratamento. Quanto maior o prazo de uso, menores os riscos”, explica. 

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