Eric Zambon
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A expectativa de crescimento superior a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, anunciada ontem pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), é positiva, mas não significa que a recuperação está definida. Afinal, o Brasil ainda contabiliza mais de 12 milhões de desempregados e, para 2018, trunfos como a liberação do FGTS inativo não terão o mesmo impacto sobre a atividade econômica – em 2017, o Governo estima que R$ 55 bilhões tenham sido injetados na economia só com essa medida.
O diretor de economia da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Roberto Vertamatte, lembra que após as quedas constatadas em 2015 (-3,55%) e 2016 (-3,46%), crescer pouco acima de 1% em 2017 não recupera as perdas. “É apenas uma notícia positiva. O esforço tem que continuar. Temos que buscar pelo menos 3% em 2018. Nem vou falar do problema político, que pode atrapalhar, mas a economia precisa crescer a esse nível para lá em 2020 voltar ao nível de 2014”, analisa.
Ele aponta que entraves para o crescimento, como o menor índice de carteiras assinadas desde 2012, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, precisam ser superados por mudanças de paradigma. “A economia está se terceirizando no Brasil e no mundo. É ruim do ponto de vista do empregado, pois é menos segurança, mas o mundo está nesse toada”, ressalta.
Vertamatte estima que é possível recuperar de 3 a 4 milhões de empregos num futuro próximo, mas afirma que para o restante de quase 9 milhões de desocupados, a informalidade é o único caminho. E mesmo na nova realidade que se desenha, ele acredita na possibilidade de evolução do PIB.
Conforme o diretor da Anefac, a renda dos trabalhadores já melhorou, o que deve assegurar economia aquecida, e o mercado internacional vai ajudar a puxar a produção brasileira.
Safra agrícola poderá trazer estímulo ao DF
O professor José Luiz Pagnussat, do Conselho Regional de Economia (Corecon-DF), aponta que, por causa da recessão nos últimos dois anos, existe um hiato de produção. “Não há problema de retomada do crescimento, pois há capacidade ociosa para fazer isso com facilidade. Temos demanda reprimida, capacidade instalada e desemprego alto. Então qualquer aumento é marginal, não recupera o que poderia estar produzindo”, salienta.
Ele destaca que o Distrito Federal deve acompanhar a possível retomada que se desenha e lembra a boa previsão de safra agrícola, responsável por favorecer os setores de serviços e comércio. “Normalmente, expandimos num ritmo maior em relação a outros estados, mas ainda há a incerteza de depender de questões políticas e do desempenho do serviço público”, faz a ressalva.
Baseado no que constatou em outros países, principalmente europeus, Pagnussat pede arrojo do Governo para, de fato, crescer em ritmo mais acelerado. “ A taxa de política monetária (Selic), que está em 6,75%, com a inflação de janeiro abaixo do esperado, abriu a porta para cair ainda mais. Nunca se viu uma taxa de básica tão baixa, mas ainda é uma das maiores do mundo”, explica.
Segundo o economista, isso indica a necessidade de reduzir os juros e oferecer mais crédito, a exemplo do que foi feito globalmente após a recessão mundial em 2008. Ele recorda, porém, do histórico de interferência das questões políticas na economia do País e prega cautela.
O índice apresentado ontem é uma prévia do PIB. O percentual concreto só será apresentado pelo IBGE em 1º de março.