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Brasília

Pesquisa propõe substância animal em vez de alumínio para tratar água

Arquivo Geral

02/09/2012 9h25

Da Redação, com UnB Agência
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Bruna Cesca Capelete, doutoranda do Programa de Tecnologia Ambiental e Recursos da Universidade de Brasília (UnB), é uma das vencedoras do Prêmio Brasil de Engenharia. Sua pesquisa sobre substituição de elementos químicos usados no tratamento de água foi eleita por 25 pesquisadores de universidades do Brasil inteiro como a melhor na categoria “Saneamento e Recursos Hídricos”.

O prêmio é uma iniciativa do Sindicato dos Engenheiros do Distrito Federal (Senge-DF) e do Instituto Atenas de Pesquisa e Desenvolvimento. “Esse foi o meu primeiro prêmio. Ele serve como um reconhecimento e um incentivo para continuar com as minhas pesquisas”, disse Bruna.

Paulista de Taubaté e formada pela Universidade Federal de Viçosa, Bruna seguiu o conselho da professora Cristina Célia Brandão, do Departamento de Engenharia Civil, e pesquisou durante o mestrado maneiras de usar materiais menos nocivos em processos de tratamento de água por companhias de saneamento. Hoje, o processo é feito com metais como o sulfato de alumínio ou o cloreto férrico.

A proposta de Bruna é substituir esses elementos químicos pela quitosana, uma derivação da quitina, encontrada na carapaça dos artrópodes – animais cuja principal característica  são as patas articuladas, como os insetos e os crustáceos. “Essa modificação se mostrou tão eficiente quanto o método usado até agora, que utiliza metais” disse.

Procedimento atual
Hoje em dia, na primeira etapa de tratamento, chamada mistura rápida, são incorporadas substâncias chamadas de coagulantes, que servem para eliminar as cianobactérias, micro-organismos presentes nas águas dos rios que alimentam as estações de tratamento. Na desinfecção, última fase, é adicionado o cloro. Caso essas bactérias mantenham-se vivas, a reação com o cloro facilitaria a criação de trihalometanos, que são substâncias cancerígenas. O sulfato de alumínio e o cloreto férrico são usados exatamente para eliminar essas bactérias.

De acordo com Bruna, a aplicação de 1mg de quitosana por litro de água substitui perfeitamente os 15mg de sulfato de alumínio por litro que são aplicados hoje em dia.
 
Segundo a orientadora, Cristina Célia Brandão, o trabalho de Bruna é uma das poucas pesquisas sobre o assunto no País e significa um avanço na disposição de rejeitos e para a segurança do meio ambiente. “Nós temos um mar e uma indústria de pesca enormes. Temos um imenso potencial de produção de quitosana aproveitando a casca dos camarões, por exemplo”, disse Cristina. “Bruna comprovou a aplicação da quitosana no tratamento de água para a realidade brasileira”, complementou. A pesquisa de Bruna faz parte de um estudo em parceria com a Universidade de Dresden, na Alemanha. Em países como a Noruega, a quitosana já é aplicada no tratamento.

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