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Brasília

Pesquisa mostra o perfil do ciclista do DF e enumera barreiras

Arquivo Geral

08/12/2015 6h00

Jurana Lopes

jurana.lopes@jornaldebrasilia.com.br

Muito se fala em incentivo  para que a bicicleta se transforme em   meio de transporte pela população do DF. Porém, pouco se investe para que a ideia se concretize. Em pesquisa inédita sobre o Perfil do Ciclista Brasiliense, da Organização Não Governamental Rodas da Paz, as principais reclamações de quem utiliza a bicicleta no dia a dia é a falta de  infraestrutura adequada e  de respeito por parte dos motoristas.

Dos 433  entrevistados, 59,9% pedalam cinco ou mais dias por semana. Além disso, 81,6% usam a bicicleta para ir ao trabalho e 52,2% a utilizam   integrada ao metrô. A maioria  (57%)  leva  entre dez e 30 minutos nas viagens. A principal queixa é a falta de infraestrutura cicloviária (28,6%), seguida de educação e segurança no trânsito (22,4%) e falta de segurança pública (16,6).

O fato de a bicicleta ser um meio de transporte mais saudável (32,3%) e  a   rapidez e praticidade proporcionadas (30,9%) são as principais motivações que levam os brasilienses a utilizá-la.  

A faixa etária dos ciclistas do DF está concentrada entre 15 e 34 anos (72,7%). Segundo a pesquisa, 46,7%  possuem Ensino Médio completo e 30,5%, Ensino Superior. A maior parte  tem renda entre um e dois salários mínimos (22,2%), seguido dos que não possuem renda (16,6%) e dos que têm renda de dois a três salários mínimos (15%). 

Para Renata Florentino, coordenadora da ONG Rodas da Paz, a pesquisa revela que os ciclistas estão insatisfeitos com a malha cicloviária. “Brasília tem tudo para se tornar uma cidade modelo em ciclovias, pois é bem arborizada,   plana e bem iluminada. Mas  os projetos  não são colocados como prioridade nas pautas do governo. Um exemplo disso é a ciclovia de Águas Claras. O projeto   está pronto desde o início do ano, mas, sem nenhum motivo, foi paralisado e até hoje não iniciaram as obras”, afirmou.

Segundo ela, se houvesse mais infraestrutura,  respeito e educação,  o número de ciclistas seria ampliado, o que desafogaria o trânsito. “Se mais gente começar a ir ao trabalho de bicicleta, haverá menos carros nas ruas e menos congestionamentos. Sem contar o custo-benefício para o ciclista, pois, além de ser um meio   mais rápido e prático, faz bem à saúde”, defendeu.

Insegurança dificulta a prática

O motorista Raimundo Neres, 44 anos, trabalha no aeroporto e mora na Vila Telebrasília. Apesar da proximidade, ele usa a bicicleta somente para se exercitar e ter um lazer. “Eu até gostaria de ir para o trabalho de bike, mas não tem ciclovia no trajeto. Eu não vou me arriscar entre os carros”, explicou.  Para ele, falta respeito dos motoristas.

Três vezes por semana, o aposentado Vitor Vieira, 63 anos, utiliza a bicicleta para ir à academia, a seis quadras de sua residência. “É um percurso em que eu poderia usar o carro, mas prefiro   a bike. Mas, quando pedalo por lazer no Parque da Cidade, prefiro colocá-la no carro porque é perigoso atravessar as passagens subterrâneas do Eixo. Falta segurança”, relatou.

David Varchavsky, 46 anos, servidor público, acredita que, se a malha cicloviária   fosse bem estruturada, ele a utilizaria para ir ao trabalho, a nove quilômetros de   casa: “Hoje, eu pedalo por lazer e condicionamento físico, pois não tenho coragem de me arriscar indo ao trabalho. A infraestrutura e sinalização são deficientes e, infelizmente, as pessoas não respeitam a bike como meio de locomoção. Estive em outros países e vi como é interessante deixar o carro na garagem. Se a cultura da bicicleta fosse adotada pelos brasileiros, seria excelente e benéfico para o trânsito”.

Projetos para ampliação e melhorias

Hoje, o DF tem 411 km de ciclovias. De acordo com a Secretaria de Mobilidade (Semob), há projeto para construir mais 238 km, o que totalizará 649 km de malha. O documento passará por revisão respeitando ações prioritárias definidas pela política cicloviária.

Sobre a falta de infraestrutura, a Semob explicou que a malha é mapeada em ação conjunta com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF), a Novacap e as administrações regionais. “A malha será avaliada, e os problemas servirão de base para desenvolver projetos de ampliação e melhorias para a rede existente”, diz a nota.

Segundo o DER-DF, há projeto para ligar regiões como Planaltina, Sobradinho e Plano Piloto com o BRT Norte, em fase final de elaboração do projeto executivo. O trecho que ligará Núcleo Bandeirante, Arniqueiras, Águas Claras, Riacho Fundo I e II, viaduto de Samambaia e Recanto das Emas está em fase final de concepção do projeto do BRT Sudoeste. Ambos, BRT Norte e Sudoeste, serão licitados no primeiro semestre de 2016. O trecho Taguatinga, Águas Claras, Vicente Pires, Guará, SIA, Plano Piloto, via EPTG, está em fase de realização e deve ser executado a partir de 2016.

Consulta pública

Uma consulta pública para debater a demarcação de ciclofaixas em Águas Claras ocorrerá amanhã, às 19h30, no auditório do Colégio La Salle, na Quadra 301.

Participarão do encontro representantes da Associação de Moradores de Águas Claras, do  Detran-DF, da administração regional e da Secretaria de Gestão do Território e Habitação.

Segundo o titular da pasta, Thiago de Andrade, a consulta pública é uma oportunidade para esclarecer detalhes do projeto elaborado pelo órgão com o objetivo de fomentar o uso do metrô por meio de intervenções voltadas a deslocamentos não motorizados, a exemplo da pintura de ciclofaixas. “Alguns setores criaram resistência a alguns pontos bem particulares. Precisamos equalizar isso”, afirmou.

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