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Brasília

Pesquisa: Brasília é a cidade brasileira que mais gasta com "mimos" para amantes

Arquivo Geral

25/11/2012 10h41

Soraia Sobreira
soraia.sobreira@jornaldebrasilia.com.br

 

Brasilienses gostam de discrição e relaxam no momento de gastar dinheiro com traição. É o que aponta uma pesquisa realizada por um portal de relacionamentos extraconjugais. O site revela que, no período de um ano, Brasília se mantém como o lugar que mais investe neste tipo de relação.

 

 Os números são expressivos: os brasilienses gastam com amantes aproximadamente 90% a mais do que a média nacional na busca virtual e real por um caso extraconjugal.

 

Terceira capital mais rica do País, Brasília tem pelo menos 25 mil usuários cadastrados no site com um gasto médio R$ 2,3 mil por mês com amantes, cada um. Entres as principais despesas estão os encontros em motéis, restaurantes e presentes.

 

 Se uma amante já gera gastos, imagina duas. Esta é a realidade de Rodrigo (nome fictício), 28 anos. Depois de nove anos de casado, ele quis inovar. “Enjoa ficar com uma mulher só o tempo todo e também não quero deixar uma história para trás. Quando tive o meu primeiro caso, não foi nada combinado, aconteceu espontaneamente”, conta. Nem as amantes e muito menos a esposa, desconfiam. “Com uma delas, eu já fico há 11 meses e a com a outra fiquei por quatro meses. Mas resolvi deixar esta mais recente por causa das despesas”, revela. Em média, ele gastava R$ 400 mensais com cada uma delas. “E isso, porque, às vezes, dividimos a conta”, explica. Rodrigo é do tipo romântico e costuma oferecer mimos diversos como flores, roupas, calçados e perfumes.

 

Enquanto um carioca ou paulista utiliza cerca de cinco créditos (valor estabelecido no ambiente virtual), enviando mensagens para várias mulheres, o brasiliense gasta até 50 créditos comprando rosas e diamantes virtuais em sua busca por uma amante. Para se ter noção, comprando um pacote de 100 créditos, se gasta R$ 59. “Os bairros líderes em infidelidade coincidem com as regiões mais nobres de Brasília, onde as pessoas possuem maior poder aquisitivo. Isso não nos surpreende, pois onde há dinheiro e poder, há traição. Esses bairros concentram os dois”, afirma Eduardo Borges, representante do Ashley Madison, responsável pela pesquisa.

 

 

Mulheres vão à forra

 

 

Quem pensa que traição é coisa de homem se engana. O site oferece entrada gratuita garantida ao público feminino brasileiro, e revela que a proporção, na faixa dos 30 anos, é de uma mulher para cada homem. No ranking dos infiéis, os homens dominam a Asa Norte, com 73%, seguidos pelo Lago Sul com 71%. Equilibrando-se, o Sudoeste vem com 61% e o Lago Norte com 56%.

 

No Lago Norte, as mulheres disputam equilibradamente com o mundo masculino, e mantêm 44% de participação.  As infiéis do Sudoeste aparecem em segundo com 39% dos cadastros. Em terceiro lugar está a Asa Sul, com 31% de participação feminina, enquanto que no Lago Sul e Asa Norte elas representam, respectivamente, 29% e 27%.

 

“Acredito que as mulheres estão alcançando índices similares. Me parece uma espécie de desforra. Nota-se que muito dessa procura de ambos os lados é muito mais pelo sexo e menos pelo amor”, explica a psicóloga Elisa Walleska Costa, professora de Psicologia Clínica no Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb).

 

Ela diz que há vários motivos para a prática da traição. “Cada um aponta uma razão diversa como insatisfação com o outro, busca de aventura, tédio, entre outras”, explica. A professora afirma que os valores gastos pelos amantes fazem parte do processo de sedução. “No namoro ou num caso extraconjugal, os presentes agradam, mas o que mantém um vínculo é o que cada um tira do relacionamento e isso não engloba dinheiro ou bens”, ensina.

 

Entre os mais infiéis do mundo

 

Com cerca de um milhão de membros cadastrados, os brasileiros se mostram entre os mais infiéis do mundo. Márcio ( nome fictício), 33 anos, passou nove anos casado e chegou a perder as contas de quantas vezes ele já traiu a esposa. “Pra que fidelidade?”, pensa. A vez mais marcante foi quando ele ficou envolvido com a própria sobrinha da mulher, por um ano.

 

“Morávamos todos na mesma casa e eu ficava com ela ali mesmo”, conta. A menina era menor de idade e, segundo Márcio, exigia muitos presentes. “Era gasto demais. Dei um notebook para ela”, destaca. Perguntado se ele tinha alguma insatisfação com a esposa, ele fez questão de responder. “Não. Coisa de homem mesmo, porque ela era até bonitona”, diz. Do casamento, eles tiveram três filhos com três, sete e nove anos. “Agora, me separei e estou só estou ficando com mulheres casadas. No momento, meu relacionamento é com uma que é mulher de sargento. Estamos marcando até viagens juntos”, revela.

 

Meio virtual é seguro

 

 

Em festas de fim de ano, o presente para os amantes tem de ser melhor e mais caro. A afirmação é do diretor do site de relacionamento extraconjugal. “Afinal, a pessoa com quem você está já foi conquistada e, geralmente, há uma insatisfação, seja devido ao sexo ou pela convivência. Então, aquelas viagens internacionais nunca feitas em família, e os presentes mais requintados são para este momento”, afirma Borges.

 

Toda traição tem um risco, porém Borges garante que eles são minimizados no meio virtual. “O ideal é encontrar alguém que quer trair e não ser descoberto. O melhor são pessoas que também têm suas histórias e não são do ciclo de trabalho ou  de amigos. A distância das pessoas também é um facilitador porque diminui as chances de serem vistos. Portanto, nada de vizinhos”, ensina o representante da Ashley Madison.

 

E, pelo visto, Tadeu (fictício) não seguiu os conselhos, ele está, há quase seis meses, em um relacionamento com a irmã da esposa dele. Os dois começaram o caso depois que ele foi levá-la para casa após uma festa. “No caminho, acabou rolando e, como foi bom, resolvemos continuar. A família da minha mulher obviamente não sabe, mas parte da minha sabe”, revela. Ele ressalta a vontade de se separar, mas afirma que não vai ficar com a amante. “Não vamos assumir porque senão o circo pega fogo, eu tenho um filho de um pouco mais de um ano e quero continuar vendo- o”, diz. Mesmo em um casamento recente, cerca de dois anos, ele já não gasta mais com a esposa, só com a amante. Em média, são R$ 300 por mês entre idas a motéis e presentes como flores e perfumes. Nas reuniões familiares, Tadeu comenta que a descrição é importante. “Porém, confesso que rolam umas pegações às escondidas”, finaliza.

 

 

 

 

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