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Brasília

Pesquisa aponta que maternidade fica para mais tarde

Arquivo Geral

05/09/2012 8h44

Da Redação
redacao@jornaldebrasilia.com.br

As brasilienses têm optado por ter menos filhos e  mais tarde. Como consequência, a taxa de fecundidade no Distrito Federal está em constante queda. Levantamento da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) revela que, em dez anos, houve aumento de 90% do número de mães que tiveram os filhos aos 40 anos ou mais.

O adiamento da maternidade tem como principal fator a alta escolaridade. Conforme o levantamento, o número de nascimentos sofreu mudanças ao longo do período e as faixas etárias com maior idade foram as que mais apresentaram aumento. “A medicina melhorou a ponto de ser mais seguro para essas mulheres terem filhos, por isso essa faixa cresceu”, observa a socióloga e demógrafa Ana Boccucci, responsável pela pesquisa.

Por outro lado, houve redução de 27% entre as mães dos  15 aos 24 anos. Ou seja, a gravidez precoce está em queda.  Mais da metade das mães do DF, no período avaliado pelo estudo, são mulheres entre 20 e 29 anos.

 

 A  crescente inserção das mulheres no mercado de trabalho é outro fator que contribui para o adiamento da maternidade. Para  Ana Boccucci, a mulher tem colocado em primeiro plano as atividades profissionais e educacionais, para depois chegar aos filhos.
“As mães começaram a se preocupar mais com o futuro. Com isso, elas estudam mais, trabalham mais e usam cada vez os métodos contraceptivos. Essas ações inibem a necessidade, ou até mesmo a vontade de ter filhos. Isso não é bom pelo fato de a população ficar mais velha”, reforça.

surpresa
O que antes era considerado um risco, hoje em dia é comum. Para muitas mulheres, é depois dos 40 que se conquista estabilidade financeira suficiente para garantir um bom futuro a seus herdeiros. A auxiliar de educação Wanda Oliveira Paes de Siqueira, 42 anos, é um exemplo. Ela afirma que a descoberta da gravidez foi uma emoção e, ao mesmo tempo, uma surpresa.

“Não esperava, a essa altura da vida, ter mais um filho. Descobri na semana passada. Já tenho um de 15 e uma de 24 anos. Posso dizer que ainda estou em estado de choque. Meu marido está comemorando. Apesar de não esperar, recebi bem a novidade e já comecei meu pré-natal. Posso dizer que é uma experiência diferente e no começo é estranha”, afirma Wanda, que está grávida de três meses.

 

A auxiliar de educação conta que os reflexos da gravidez aos 42 anos não são os mesmos que em uma idade mais jovem, uma vez que os sintomas aparecem com menor frequência, e segundo ela, isso explica a demora para a descoberta. “Quase não sinto enjoos e se não fosse o exame, acho que ainda não teria percebido a gravidez. É surreal”, conta.

A população feminina entre 15 e 49 anos aumentou 24,3% no DF, passando de 649 mil, em 2000, para 808 mil, em 2010 – foi um incremento de 158 mil mulheres no período. Porém, a proporção de mulheres entre 15 e 19 anos caiu  23,8%. O grupo de 20 a 24 anos também apresentou queda de 18,1%.

Os dados divulgados pela Codeplan foram obtidos por meio do Censo Demográfico do IBGE e da  pesquisa do Departamento de Informática do SUS (Datasus).

 

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