Camila Costa
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Se a família optou por ter mais de um filho, o assunto, com certeza, já foi discutido durante o almoço, o jantar, ou em algum outro momento. Entre os herdeiros, tão amados e desejados, existe um preferido? O tema é polêmico, mas pais, mães e filhos geralmente concordam um uma questão: independentemente da preferência, o amor é o mesmo para todos. Será?
Cientistas da Universidade da Califórnia resolveram estudar o assunto e observaram, por um período de três anos, um total de 384 famílias. O resultado foi que 65% das mães e 70% dos pais tinham uma “queda” maior por um dos filhos. Uma sintonia por conta de afinidades que acabam gerando preferências.
“É uma facilidade em lidar mais com um filho do que com o outro. Outra situação é que uma mãe e um pai que têm um filho que dá mais trabalho que os outros vão, por consequência, disponibilizar mais tempo e atenção para o mais problemático, por preocupação”, explica a terapeuta familiar da Universidade Católica de Brasília (UCB), Maria Eveline Cascardo.
Para ela, o que move a predileção pode, inclusive, ser a característica do próprio filho. Uma criança mais extrovertida, mais carinhosa e aberta aos conselhos dos pais vai, consequentemente, atrair mais a atenção deles. “Às vezes são dois, três, quatro filhos. Um acaba se tornando o companheiro para fazer compras, outro para ir ao médico, outro gosta de acompanhar a mães às festas. Então, existe uma facilidade maior em estar com um filho, mas sem sobrecarregá-lo com a necessidade de estar junto em todos os momentos”, pondera a terapeuta.
Especial
Para Leonardo Costa, de 10 anos, a resposta é bem clara. Existe, sim, um filho preferido e, na família dele, o favorito é ele mesmo. O motivo, ele também não se intimida em revelar. “Eu sou especial”, justifica o estudante.
Apesar de Leonardo afirmar ser o predileto, a família é grande: cinco filhos ao todo. O trabalho de educar e de conseguir distribuir amor igual para todo mundo não é fácil, no entanto, a mãe, a designer gráfico Marúcia de Souza Pimenta Costa, de 46 anos, tenta com determinação. “É complicado, mas não é gostar ou amar um mais que o outro, pelo comportamento e personalidade de cada filho. Temos uma determinada relação”, enfatiza.
O pai, o eletricitário Antônio Cláudio de Oliveira da Costa, de 49 anos, diz que não tem preferências, mas concorda que tem sempre um filho mais fácil de lidar do que o outro. “Tem um que é mais obediente, a gente não precisa ficar falando muito, ele sabe o que fazer, vai e faz. E tem outro que faz chantagem, diz que não ganha carinho, mas também não dá abertura para receber carinho”, pondera.
Apesar do caçula se sentir o preferido, os outros dois irmãos nunca se sentiram preteridos. “Acho que sempre foi igual, nunca houve diferenciação”, aponta Arthur, de 15 anos. “O tratamento para todos os filhos sempre foi o mesmo”, completa Mauro, de 20 anos.