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Brasília

Pedidos da população para resgate de animais silvestres aumentaram no DF

Somente até agosto deste ano, houve um aumento de 28,57% nos registros comparado com o ano passado

Amanda Karolyne

16/09/2025 19h07

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Animais silvestres resgatados pelos bombeiros no Projeto Piloto para Atendimento de Ocorrências de Resgate de Fauna Silvestre Vertebrada  / Divulgação CBMDF

Especialistas de órgãos responsáveis pelo manejo de animais silvestres dão recomendações de como lidar ao se deparar com espécies selvagens na cidade.

Os pedidos de manejo ou resgate de animais silvestres aumentaram de 2024 para 2025. Segundo dados da Ouvidoria do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), o órgão recebeu 35 pedidos do tipo no ano passado. Mas somente até agosto deste ano, houve um aumento de 28,57% nos registros, chegando a 45 notificações. O Jornal de Brasília conversou com especialistas para saber quais as recomendações sobre o que fazer ao encontrar esses bichos e evitar que animais silvestres adentrem ou façam ninhos em ambientes urbanos. 

A primeira orientação dada para quando uma pessoa encontra um animal silvestre, de acordo com o analista de Atividades de Meio Ambiente, o biólogo Thiago Silvestre, é que não tente pegar o animal e fazer o resgate sozinho. A pessoa deve ligar para o 190 para que um atendente do Batalhão da Polícia Militar Ambiental possa perguntar as condições em que o animal está, se está ferido e acuado. Depois disso, uma equipe vai ser enviada para o local para poder resgatar o bicho. 

Se o problema for com animais que fizeram ninho no telhado ou estão vivendo muito perto das pessoas, a recomendação é que o contato seja feito com o Brasília Ambiental. “Uma equipe técnica poderá  visitar o local, dar orientações”, acrescentou. Em um caso assim, o contato com o instituto pode ser feito pelo e-mail fauna@ibram.df.gov.br ou pelo Whatsapp (61) 99187-3064. Para agendar uma vistoria, é preciso protocolar um requerimento no site www.harpia.ibram.df.gov.br

Thiago recomenda que caso a pessoa tenha um telhado com abertura para o forro, ou uma telha quebrada que possa dar oportunidade para um animal entrar, que aproveite o quanto antes da época de chuva, para verificar se tem algum animal instalado lá para chamar as autoridades e fazer os devidos reparos.  “Mas sempre com respeito e sempre se conscientizando, que a cidade também é lugar dos animais”.

Ele frisou que é importante manter a convivência com os animais para manter o equilíbrio da natureza. “Nós sabemos que as pessoas não gostam de ver muitos desses animais. Entretanto, eles controlam serpentes e escorpiões, e também podem ajudar a controlar os mosquitos da dengue”, salientou. 

De acordo com o especialista, o incremento no número de chamadas para pedidos de resgate desses animais é o resultado direto da educação ambiental feita pelo Ibram nos últimos anos. “Nós temos investido bastante na educação ambiental para sensibilizar a população com relação à presença desses animais silvestres em nossas vidas, independente se vivemos em cidades ou vivemos no ambiente rural”, destacou.

Aparecimento de serpentes é típico da temporada

Segundo o 1o sargento Fernando Nascimento do Batalhão de Polícia Militar Ambiental da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), nesta época do ano há um aumento significativo de aparecimento de serpentes nas residências do DF. Em especial, as cascavéis e jiboias. “Nós orientamos a toda a população que ao se deparar com esses animais em sua residência, evite contato e também isole o local evitando que crianças, idosos e animais domésticos se aproximem”,declarou. 

Ele reforçou ainda que nessas situações, as pessoas evitem matar esses animais, reforçando o que o biólogo do Ibram já havia destacado: “Eles são de extrema importância no ecossistema. Ao se deparar com essa situação, faça contato imediato com o 190 que uma de nossas equipes fará o atendimento prioritario”.

Reforço nos resgates desses animais

Em agosto foi implantado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), o Projeto Piloto de Resgate de Fauna Vertebrada Silvestre. A iniciativa segue até 31 de outubro, justamente no período crítico da seca, segundo o capitão Fábio Eduardo, que explicou se tratar do período em que os incêndios em vegetação aumentam e os riscos para os animais silvestres se tornam mais graves. 

Fábio explicou que essa atividade já é feita ao longo do ano, mas esse projeto a reforçou, de acordo com a demanda desses meses mais secos. “Nessa época, a umidade do ar cai, a vegetação perde vigor e os incêndios em áreas de mata se tornam mais frequentes e intensos. O resultado é a destruição de habitats, o que obriga muitos animais a deixarem suas áreas de origem em busca de água, alimento e abrigo”, complementou. 

Segundo Fábio, essa movimentação os expõe a riscos ainda maiores, como a queimaduras, atropelamentos, ataques de animais domésticos e até mesmo o contato com áreas urbanas. Ainda segundo ele, até o dia 15 de setembro, já foram registradas mais de 200 ocorrências, no 13º Grupamento de Bombeiro Militar, o quartel escolhido para sediar o projeto, com 63 animais efetivamente salvos, entre aves, répteis e mamíferos. “Vários desses chegaram feridos, confirmando que o período seco exige uma resposta rápida e especializada”, frisou. 

Nas últimas semanas, segundo Fábio, o Corpo de Bombeiros registrou ocorrências emblemáticas que ilustram bem esse fenômeno. “Um jabuti foi resgatado após um incêndio apresentando a pata queimada, casco ainda quente e descamação na pele. Em outro atendimento, um mico também foi localizado com queimaduras, e ambos foram encaminhados para tratamento especializado”, citou. Ambos os animais foram encaminhados ao Hospital da Fauna Silvestre (HFAUS), porém ele apontou que existem outras instituições parceiras como o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), o Hospital Veterinário da UnB e o Jardim Zoológico de Brasília. Esses exemplos, como Fábio destacou, reforçam a gravidade dos impactos dos incêndios sobre a fauna do Distrito Federal. ‎

Ele finalizou, frisando que a população não deve tentar capturar nem se aproximar, caso aviste um animal em área urbana. “Essa atitude pode gerar acidentes e piorar a condição do animal”, afirmou. Nesses casos, segundo ele, o correto é acionar imediatamente além do 190, o telefone 193, para que o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal realize o resgate de forma segura. “Se houver indícios de crime ambiental, a orientação é também comunicar a ocorrência à Polícia Militar”, pontuou.

Saiba mais

Para pedidos de resgate de animais silvestres

Ligue para o 190 (PMDF), 193 (CBMDF) ou utilize o fauna@ibram.df.gov.br ou pelo Whatsapp (61) 99187-3064 para entrar em contato com o Brasília Ambiental. 

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