Uma conversa descontraída com amigos em um bar. Até aí tudo normal. Mas chega uma mulher em situação de rua e aborda as únicas pessoas do sexo feminino da mesa para fazer um pedido peculiar: um absorvente. O fato aconteceu mais de uma vez com duas amigas, que, a partir disso, se sensibilizaram e começaram a refletir como essas mulheres são invisíveis diante da sociedade e decidiram ajudar.
A assistente social Nathália Vieira, 27 anos, e a amiga Ludmila Mucury, 28 anos, produtora, criaram o grupo no Facebook “Mulheres invisíveis (Não pra nós)” para arrecadar itens de higiene pessoal e doar para as que vivem em situação de vulnerabilidade.
“Com a experiência que tivemos, com uma moça pedindo um simples absorvente, decidimos tomar uma iniciativa. Como mulheres, sabemos o quão difícil é o período menstrual e como é necessário ter itens de higiene. Por isso, fizemos o grupo”, explicou Ludmila. Segundo ela, as doações começaram a ser entregues por amigas e familiares no aniversário de Nathália, que pediu os itens de presente.
No início, as amigas pensaram que a ação seria somente entre conhecidas, mas, de tanto as pessoas divulgarem, tomou uma proporção maior. Por causa disso, Nathália e Ludmila fixaram pontos de coleta das doações. “Não pensávamos que conseguiríamos a ajuda de tantas pessoas. As ligações não pararam, e juntamos bastante coisa. Amanhã, vamos montar kits com absorvente, escova de dente, creme dental, pente, sabonete, desodorante, xampu e creme para pele, além de batons”, disse Ludmila.
Segundo ela, as doações serão contabilizadas amanhã por um grupo de voluntárias. A expectativa é que sejam doados mais de 80 kits, pois já existem produtos para esse quantitativo. Parte dos produtos serão entregues na segunda-feira para as catadoras do Lixão da Estrutural, a partir das 14h. A outra metade dos produtos será distribuída no próximo sábado para mulheres que vivem na rua. As amigas vão dar uma volta de carro e entregar os kits na Rodoviária do Plano Piloto, Conic, Setor Comercial Sul, entre outros pontos.
Ação é mais do que entregar os kits de produtos
A intenção das amigas é manter a ideia ativa. “Nosso projeto não tem relação com o Natal. Pretendemos que seja realizado sempre e que, cada vez mais, a gente consiga mais doações e voluntárias. A cidadã comum precisa libertar a mulher que está na rua. Elas necessitam de respeito e, principalmente, de algum tipo de ação”, defendeu Ludmila.
Para Nathália, o mais importante não é entregar os kits, mas conhecer a história de cada uma. “Infelizmente, essas mulheres se tornaram invisíveis perante a sociedade. Queremos que o kit seja um laço entre nós e elas. Nossa intenção é conversar, saber os motivos de estarem na rua, conhecer a realidade de cada uma. Trata-se de uma ação entre mulheres, que tem por objetivo levar um pouco de autoestima para quem não tem”, ressaltou.