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Brasília

PCDF mira esquema de R$ 39,6 milhões envolvendo soja do PAD-DF

Operação Lastro Oco cumpre quatro mandados de busca e apreensão para investigar suspeitas de crimes tributários, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica

João Victor Rodrigues

15/09/2026 8h56

Foto: PCDF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta terça-feira (15/9), uma operação para investigar um esquema envolvendo a comercialização de produtos agrícolas, crimes tributários e lavagem de dinheiro. Batizada de Lastro Oco, a ação é conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária (DOT/Decor). Nesta etapa, os agentes cumprem quatro mandados de busca e apreensão. A investigação tem entre os alvos operações relacionadas à circulação de soja produzida no PAD-DF.

O caso começou após autuações fiscais contra uma empresa que, segundo a investigação, estaria registrada em nome de uma pessoa usada como laranja. A mulher apontada formalmente como sócia declarou trabalhar como empregada doméstica e afirmou desconhecer a existência da empresa. O débito tributário atribuído ao negócio chega a R$ 39,6 milhões. A suspeita é de que a companhia tenha sido utilizada para emitir documentos fiscais falsos em transações de valores elevados.

A investigação ganhou novos elementos em setembro de 2022, quando dois caminhões foram parados com poucos minutos de diferença em um posto de fiscalização da BR-060. Os veículos transportavam cerca de 67 toneladas de soja sem documentação fiscal no momento da abordagem. As notas foram apresentadas somente depois do início da fiscalização e tinham sido emitidas pela empresa investigada. Embora os documentos apontassem Minas Gerais como origem da carga, um dos motoristas disse que havia carregado a soja no PAD-DF e recebido orientação para seguir sem a nota, que seria entregue posteriormente.

Os depoimentos dos transportadores levaram os investigadores a buscar quem contratava os fretes e coordenava as operações. A apuração também verifica a participação de empresas dos setores de commodities, transporte e corretagem e tenta identificar os beneficiários dos recursos movimentados. O levantamento patrimonial encontrou 17 veículos avaliados em aproximadamente R$ 2,3 milhões, registrados em nome de investigados e de uma empresa ligada ao núcleo operacional. Conforme a participação de cada envolvido, os suspeitos poderão responder por crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

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