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Brasília

PCDF desmantela grupo criminoso que faturava R$ 350 mil com golpes de carro 0km

As ações, que tiveram lugar em Sobradinho, Taguatinga, Lago Norte e Goiânia, buscaram desarticular um grupo criminoso especializado em furtos de veículos zero-quilômetro de concessionárias no Distrito Federal

João Victor Rodrigues

30/08/2023 11h22

Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da incansável investigação realizada pela equipe da 9ª Delegacia de Polícia (DP), deflagrou na manhã desta quarta-feira (30), a Operação Financiamentos de Pinóquio.

No total, 13 mandados judiciais foram cumpridos, abrangendo quatro prisões temporárias, quatro buscas e apreensões e a obtenção de ordens para bloquear cinco contas bancárias dos indivíduos sob investigação.

De acordo com o delegado Erick Sallum, responsável por liderar toda a investigação da 9ª DP, o esquema se desenvolvia a partir de falsos financiamentos realizados em nome das vítimas. As vítimas, então, eram confrontadas com a negatividade de seus nomes nos serviços de proteção ao crédito, SPC e Serasa, e posteriormente eram sujeitas a cobranças judiciais por dívidas que não tinham contraído.

O processo começava com um indivíduo obtendo cópias de documentos e assinaturas de terceiros, os quais não estavam cientes da prática criminosa. Para adquirir esses documentos, os golpistas recorriam a táticas enganosas, fingindo serem correspondentes bancários e oferecendo propostas de empréstimo irresistíveis. Entretanto, após obter as assinaturas e documentos das vítimas, o golpista desaparecia sem cumprir efetivamente as promessas.

O próximo passo envolvia a passagem dos documentos a outro membro do grupo, responsável por forjar procurações em Goiânia, concedendo poderes para aquisição e retirada dos veículos das concessionárias. Com a procuração em mãos, os golpistas, auxiliados por vendedores cúmplices das lojas, obtinham financiamento de veículos novos em nome das vítimas. Após uma entrada simbólica, retiravam o carro e desapareciam, deixando a vítima com o nome manchado e dívidas não contraídas.

O desdobramento da fraude era realizado por meio da venda dos carros a terceiros. No momento da venda e transferência do veículo, um dos criminosos usava um serviço de cartório em Minas Gerais, que emitia procurações via videoconferência. Essa procuração era utilizada para simular a presença da vítima no processo de transferência.

O delegado Sallum sublinhou a audácia desse golpista em particular, que se disfarçava para enganar os atendentes do cartório, inclusive cortando o cabelo, utilizando óculos e maquiagem para se parecer com a vítima.

Além disso, a investigação apontou que a negligência das próprias concessionárias contribuía para facilitar a atividade criminosa. Procedimentos frágeis de conferência de documentos e a pressão por metas favoreciam a atuação dos estelionatários. “As financeiras procuram a polícia para tentar recuperar os carros, depois da imprudência na contratação e do desaparecimento do veículo. Aconselhamos as concessionárias a aprimorar seus protocolos internos”, destacou Sallum.

Os indivíduos sob investigação foram indiciados por diversos crimes, incluindo estelionato, falsificação de documento público, falsa identidade, associação criminosa e lavagem de dinheiro, com penas totais excedendo 35 anos de reclusão.

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