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Brasília

PCDF desarticula esquema do “falso advogado” e indicia seis suspeitos por fraude eletrônica

Investigação aponta participação de advogada e uso de celular dentro de presídio em Mato Grosso do Sul para aplicar golpes contra vítimas, principalmente idosos

João Victor Rodrigues

06/03/2026 7h06

Foto: PCDF

A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu uma investigação que desarticulou um esquema de fraude eletrônica conhecido como golpe do “falso advogado”. A apuração foi conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos, vinculada ao Departamento de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Decor).

A operação contou com apoio da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) e das delegacias de polícia de Caarapó e Juti. As diligências foram realizadas nas cidades de Dourados e Juti.

De acordo com as investigações, os criminosos entravam em contato com as vítimas por aplicativos de mensagem, se passando pelo advogado responsável por processos judiciais reais. Utilizando o nome e a fotografia do profissional verdadeiro, os suspeitos informavam que seria necessário realizar pagamentos urgentes para viabilizar a conclusão do processo.

Em um dos casos investigados, a vítima — uma pessoa idosa — foi convencida a transferir valores para contas controladas pelo grupo criminoso. Os autores ainda tentaram obter um segundo repasse de quantia maior, mas a tentativa foi frustrada após a descoberta da fraude.

As apurações também revelaram que parte das mensagens utilizadas no golpe foi enviada a partir de dentro de um presídio em Dourados (MS), indicando que a prática criminosa continuava sendo coordenada mesmo durante o cumprimento de pena.

Outro ponto considerado relevante pelos investigadores foi a participação de uma advogada regularmente inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil, que, segundo a polícia, teria atuado na ocultação e movimentação dos valores obtidos de forma ilícita.

Ao todo, seis pessoas foram identificadas e indiciadas pelos crimes de estelionato eletrônico, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas máximas previstas para os delitos podem chegar a 26 anos de reclusão.

A Polícia Civil alerta que o golpe do “falso advogado” tem feito vítimas em diferentes regiões do país, especialmente pessoas idosas que possuem processos judiciais em andamento. A orientação é que qualquer solicitação de pagamento recebida por mensagem seja confirmada diretamente com o advogado por meio de contatos já conhecidos antes de realizar qualquer transferência.

Denúncias sobre crimes cibernéticos podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 197.

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