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Brasília

Patury defende pacto e internação involuntária após casos de violência no DF

Secretaria diz que medida busca prevenir episódios de violência, mas não possui dados específicos sobre ocorrências envolvendo pessoas em situação de rua

Redação Jornal de Brasília

12/08/2026 17h18

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Foto: Renato Alves/Agência Brasília

Por Thamires Pinheiro

O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Alexandre Patury, defendeu a criação de um pacto entre órgãos públicos para atender pessoas em situação de rua que apresentem transtornos mentais, estejam em surto ou representem risco para si mesmas ou para terceiros. A proposta prevê uma atuação integrada entre segurança, saúde, assistência social, Justiça, Ministério Público e Defensoria Pública, com a internação involuntária humanizada como uma das medidas possíveis em situações excepcionais.

A discussão ganhou força após episódios recentes de violência no Distrito Federal. Entre eles está a invasão de um prédio na 302 Sul, quando um homem entrou em apartamentos, ameaçou moradores e manteve uma idosa de 95 anos sob ameaça com uma faca. O suspeito foi morto por policiais militares durante a ocorrência. Em Samambaia, uma idosa de 70 anos foi encontrada morta em casa, enquanto três jovens foram dopadas e uma delas estuprada. O crime foi cometido por Leonardo Ferreira de Almeida, que cumpria pena no regime semiaberto e havia deixado a prisão durante o “saidão” temporário do dia dos pais.

Ao comentar os episódios, Patury defendeu que situações de criminalidade sejam diferenciadas daquelas relacionadas à vulnerabilidade social, transtornos mentais ou uso problemático de substâncias. Para o secretário, a resposta precisa envolver diferentes áreas do poder público, e não apenas as forças de segurança.

A Secretaria de Segurança Pública informou ao JBr que já atua de forma integrada com as forças de segurança e outros órgãos do Governo do Distrito Federal em ações de prevenção da criminalidade e preservação da ordem pública. Entre as iniciativas está o Plano Distrital para a População em Situação de Rua, que reúne ações de atendimento e acesso a serviços públicos em diferentes regiões do DF.

Segundo a SSP, “a proposta em discussão prevê que situações relacionadas à vulnerabilidade social, à saúde mental e ao uso problemático de substâncias sejam tratadas pelos órgãos de saúde e assistência social, mediante encaminhamento da Secretaria de Saúde e em conformidade com a legislação. A internação seria considerada nos casos de risco grave e iminente à vida da própria pessoa ou de terceiros”.

A secretaria afirma que a medida pode contribuir para prevenir episódios de violência associados a surtos psiquiátricos ou ao uso severo de substâncias. O órgão, no entanto, informou que não possui um recorte estatístico específico sobre ocorrências envolvendo pessoas em situação de rua no Distrito Federal.

Internação deve ser medida excepcional

A internação involuntária depende de avaliação médica e deve ser utilizada apenas em situações específicas. A Lei nº 7.923, sancionada pelo GDF em julho, instituiu a Política Distrital de Acolhimento Humanizado e Atenção Integral à População em Situação de Rua e estabeleceu a internação involuntária de caráter humanizado como medida terapêutica de última instância, em situações excepcionais e por prazo determinado.

Entre as situações previstas estão casos de risco iminente à vida da própria pessoa ou de terceiros. A medida depende de avaliação e indicação médica e deve seguir os critérios estabelecidos pela legislação. A proposta faz parte de uma política mais ampla de acolhimento, que prevê ações voltadas à atenção integral, à reinserção social e à recuperação da autonomia da população em situação de rua.

Celina também defende medida

A defesa de Patury ocorre em meio a uma posição semelhante da governadora Celina Leão (PP). Após a invasão na Asa Sul, Celina voltou a defender a internação involuntária e humanizada para pessoas em situação de rua.

A governadora já havia encaminhado à Câmara Legislativa um projeto sobre o acolhimento humanizado e a internação involuntária. A proposta foi posteriormente sancionada e deu origem à Lei nº 7.923, em julho.

Em declaração sobre o tema, Celina afirmou que a população em situação de rua precisa de acolhimento, assistência social e atendimento de saúde, mas também defendeu a proteção das famílias e a segurança nos espaços públicos.

O GDF sustenta que a política deve combinar assistência social, saúde e segurança, com a internação restrita a situações excepcionais.

Medida gera debate sobre saúde mental

A proposta também provoca discussão sobre os limites da internação involuntária e a estrutura disponível para atender pessoas em situação de rua com problemas de saúde mental ou uso problemático de álcool e outras drogas.

Na Câmara Legislativa, o debate já recebeu críticas de parlamentares e setores ligados à defesa dos direitos da população em situação de rua. Um dos questionamentos levantados é se a rede pública possui estrutura suficiente para oferecer tratamento e acompanhamento adequado. Documentos da CLDF também registram críticas à expressão “internação humanizada”, sob o argumento de que a legislação brasileira já estabelece categorias específicas de internação e que a humanização deve ser uma característica do atendimento, e não uma nova modalidade de internação.

Até o fechamento da matéria, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal não havia respondido aos questionamentos enviados pela reportagem.

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