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Brasília

Passageiros reclamam que Rodoviária Interestadual é suja e mal aproveitada

Arquivo Geral

31/12/2018 7h00

Atualizada 30/12/2018 20h33

Administradora da rodoviária, Socicam alega que se dedica 24 horas à higienização dos terminais. Foto: Raianne Cordeiro/Jornal de Brasília

Brenda Abreu
redacao@grupojbr.com

Banheiros sujos, mau cheiro e desconforto. Essas são as principais queixas de passageiros que passam pela Rodoviária Interestadual de Brasília. Com o fim de ano, época de férias e viagens, o fluxo de passageiros no local aumenta, por isso as reclamações se tornam mais evidentes. Usuários cobram mais atenção e cuidado na limpeza e na qualidade do serviço prestado. A administração, porém, alega que os funcionários se dedicam 24 horas à higienização do local.

Só nesse feriado de Natal, 68 mil pessoas passaram pelo terminal. A expectativa é que, no Ano Novo, outros 80 mil embarquem e desembarquem na rodoviária. Os dias mais movimentados foram 27, 28, 29 e 30 de dezembro, quando mais de 25 mil deixaram Brasília para ir, principalmente, para Salvador, Fortaleza, Caldas Novas, Rio de Janeiro e São Paulo. Para dar conta da demanda, empresas de ônibus tiveram que dar um reforço de 100 carros extras.

A sujeira e o mau cheiro no banheiro feminino da rodoviária incomodaram a psicóloga Petrúcia de Melo Andrade, de 65 anos. “Assim que a gente entra, a primeira coisa que percebe é o fedor. Não dá para aguentar”, comentou. Ela veio de Belo Horizonte (MG) para visitar amigos na capital. Um funcionário do local, que não quis se identificar, tem a mesma reclamação. “Todos os dias o banheiro está assim. E trabalho aqui há três anos”, disse ao Jornal de Brasília.

A experiência que o decorador Amador Alves de Araújo, de 46 anos, teve no local também não foi muito agradável. Neste mês, ele foi até o terminal para acompanhar um familiar que iria viajar à noite. O homem cita que os bancos eram desconfortáveis e ainda criticou a falta de iluminação. “Não me senti seguro. Não vi nenhum segurança no período em que estava ali, e estava bastante escuro”, desabafou.

Frequentador do Aeroporto Internacional de Brasília, ele compara os dois locais: “Sinto que a rodoviária precisa se igualar na prestação de serviços com o aeroporto de Brasília. Lá me sinto seguro, além de ser um local limpo, confortável e bem iluminado”.

Estacionamento pequeno

Além disso, Amador ressaltou que o espaço para desembarcar com os carros é muito pequeno. “Não tem um bom local para desembarque. O espaço da rodoviária é grande, mas mal aproveitado”. Segundo ele, o estacionamento público deixa a desejar, e que só é possível ter conforto no que é pago. “A rodoviária em si é esquecida pelos nossos governantes”, disparou.

Pensando nisso, o militar Edson Lopes, de 70 anos, sempre deixa o carro no estacionamento pago. “A área de desembarque é muito apertada. Por isso escolho pagar, mesmo sendo caro. É mais tranquilo”, finalizou.

Sem peixes e com água cheia de lodo

Foto: Raianne Cordeiro/Jornal de Brasília

As reivindicações se estendem do ambiente interno para o externo. No local próximo ao embarque da rodoviária, há uma área aberta onde acompanhantes de passageiros podem acompanhá-los ou aguardá-los mais de perto. Ali há um espelho d’água, sem peixes, longe de ser decorativo, pois a água que preenche aquele espaço está suja e é verde, por conta do lodo.

Beatriz Santos, de 25 anos, estava em pé com o filho pequeno ao lado do espelho quando foi abordada pela reportagem. Ao redor dele, há espaços em que as pessoas poderiam sentar, o que é difícil de acontecer, pois está sempre molhado. “Tenho um pouco de medo desse ‘laguinho’. Está bastante sujo. Se tivesse uma limpeza, seria bem melhor. Não é útil para nada, além de atrair mosquitos”, pontuou.

“Não é útil para nada, além de atrair mosquitos”, diz Beatriz Santos, 25, sobre o espelho d’água. Foto: Raianne Cordeiro/Jornal de Brasília

Versão oficial

Questionada sobre a limpeza do local, a Socicam, administradora da rodoviária, alega que “conta com uma rotina rigorosa de limpeza, na qual funcionários permanecem 24 horas dedicados à higienização do terminal e avaliação da funcionalidade de todos os espaços, inclusive dos sanitários”.

A respeito da sujeira no espelho d’água, a empresa diz que “diariamente as equipes realizam limpeza e aplicação de produtos de tratamento no local, e que portanto, não há risco de proliferação de mosquitos nessa área”.

Sobre a falta de espaço para desembarque, a Socicam alega que o “local foi desenhado para o rápido embarque e desembarque de carros, exatamente, para garantir a fluidez do trânsito no local. Trata-se de uma via pública onde não é permitido o estacionamento de veículos”.

O Terminal Rodoviário Interestadual foi inaugurado em julho de 2010. Desde então, a administradora defende que já realizou, entre outras reformas, obras de melhoria na acessibilidade, modernização do estacionamento e das catracas para leitura de passagens por QRCode e substituição de lâmpadas comuns pelas de LED.

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