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Passageira vai para UTI após ser jogada para fora de ônibus na L4 Sul

Arquivo Geral

30/03/2016 18h49

Passageira vai para UTI após ser jogada para fora de ônibus na L4 Sul

Arquivo Geral

30/03/2016 6h00

O estado de saúde de Andreza Costa Ferreira, 21 anos, por enquanto, é a única certeza da família. Com traumatismo craniano e hematomas pelo corpo, segundo os próprios pais, ela está internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital de Base (HBDF), tentando se recuperar de um acidente ainda sem respostas. Por volta das 14h da última segunda-feira, a vítima foi arremessada   de um ônibus da Viação Pioneira durante uma curva, na L4 Sul. 

Até agora, pouco se sabe sobre o ocorrido. Apenas a perícia vai confirmar se o motorista estava acima da velocidade da via, que  naquele trecho é de 40km/h; se a porta do veículo estava aberta ou se apresentava defeito. Enquanto isso, resta à mãe da operadora de telemarketing, a doméstica Joelma Almeida Silva da Costa, 37 anos, esperar o resultado do laudo. 

Andreza pegou o ônibus na Rodoviária do Plano Piloto depois do trabalho em direção a São Sebastião, onde mora com a mãe e o padrasto, o jardineiro Joanilton Ferreira, 46. Após o acidente, o perfil   da vítima no Facebook recebeu inúmeras mensagens de apoio. 

Segundo informações preliminares, ela estava sentada em uma cadeira para deficientes – devido a um problema que tem no pé esquerdo -, quando foi jogada. Outros relatos dão conta de que ela havia acabado de se levantar, mas a mãe de Andreza não acredita nessa possibilidade. “Ela sempre vai para casa dormindo no ônibus. Andreza acorda muito cedo para trabalhar”, alegou Joelma. 

A doméstica relatou os problemas que enfrentou ao internar a filha: “A máquina de tomografia do HBDF está quebrada. Ela teve que fazer o exame em outro hospital”. 

A mãe não esconde a revolta.  “A gente paga pelo transporte e não tem  nenhuma segurança. Ela não estava de carona, não. Por que essa porta abriu? Ou ela já estava aberta? Além disso, acredito que, se o condutor tivesse respeitado a velocidade da via, não tinha feito esse estrago todo”, completou.

A mãe também reclamou da falta de assistência da Viação Pioneira. “Hoje (ontem), uma psicóloga da empresa apareceu às 16h, depois de eu ter ligado inúmeras vezes para ela. Só consegui a UTI para minha filha com a ajuda dos meus amigos. A Pioneira não contribuiu em nada. Estou arrasada,   é uma vergonha”, lamentou a doméstica, informando que o quadro de Andreza é estável.

Família se revolta com situação

Muito abalado, o padrasto da vítima, Joanilton Ferreira, parece não acreditar. “Temos uma relação de pai e filha, ela é um pedaço de mim. Andreza é uma menina muito amável e querida por todos. Quando me contaram que ela saiu rolando e bateu a cabeça no asfalto, eu não quis aceitar. O médico disse que ela quebrou o crânio em três partes”, afirmou. Ele   soube por um funcionário da empresa que o ônibus não estava lotado. Tinha   26 passageiros. 

A assessoria da Pioneira respondeu ao JBr. que “está prestando   a assistência necessária”. A viação completou que o ônibus foi enviado à perícia para verificar as causas do acidente, o que foi confirmado pela Polícia Civil. Já a Secretaria de Mobilidade reforçou que  vai investigar o caso. A Secretaria de Saúde não informou o estado de Andreza.

Ponto de vista

Para o professor da UnB e pesquisador em psicologia do trânsito  Hartmut Gunther, chamar um ocorrido de acidente é um erro. Isso porque, normalmente, os fatos são previsíveis e, portanto, poderiam ter sido evitados: “No caso da Andreza, ainda é cedo para afirmar qualquer coisa. Mesmo assim, levanta uma série de questionamentos sobre as condições dos ônibus e a capacitação   dos motoristas”.

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