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Brasília

Parque não inclui área destinada a salvar BRB, diz associação

Associação ambientalista alerta para riscos persistentes ao Cerrado nativo e nascentes na zona norte de Brasília.

Redação Jornal de Brasília

09/04/2026 7h51

Foto: João Risi/Seagri-DF

A criação do Parque da Serrinha do Paranoá, autorizada pela governadora do Distrito Federal, Celina Leão, por decreto publicado em edição extra do Diário Oficial do Distrito Federal nesta terça-feira (7), abrange apenas 65,91 hectares e não inclui a Gleba A, de 716 hectares, dada em garantia para capitalizar o Banco de Brasília (BRB).

De acordo com a Associação Preserva Serrinha, a nova unidade de conservação não sobrepõe à área em questão, deixando expostas riscos ambientais a córregos e ao Cerrado nativo na zona norte de Brasília. “São áreas diferentes. O novo parque corresponde a 65,9 hectares e não se sobrepõe à Gleba A, dada em garantia ao BRB, que é uma área muito maior, de 716 hectares. A governadora não criou o Parque da Serrinha que ela disse que iria criar”, afirmou a diretora da entidade, Lúcia Mendes.

A Gleba A, sem proteção adequada, pode ser transformada em área residencial para salvar o banco estatal, que enfrenta prejuízos milionários no caso Master. A decisão de incluir o imóvel na lista de garantias foi tomada pelo ex-governador Ibaneis Rocha e aprovada pela Câmara Legislativa do DF.

O Governo do Distrito Federal (GDF) justificou a criação do parque para preservar recursos ambientais de relevância ecológica e paisagística, incluindo a cachoeira do córrego Urubu, sua piscina natural e trechos de vegetação nativa do Cerrado, com formações campestres, savânicas e florestais. A unidade permitirá atividades como pesquisa científica, educação ambiental, turismo ecológico e recreação.

Na semana passada, a governadora anunciou a desvinculação de uma área da gleba para proteção ambiental, o que não se concretizou até o momento, após críticas de ambientalistas, acadêmicos, entidades civis e moradores. A Serrinha do Paranoá, localizada entre as regiões administrativas do Varjão e do Paranoá, abriga 119 minas d’água que contribuem para o abastecimento do Lago Paranoá, manancial estratégico para a população do DF.

“A região da Serrinha do Paranoá, por baixo, é toda interligada. Se você impermeabiliza determinadas áreas, com a construção de conjunto habitacional, vai matar a base de recarga da água dos aquíferos, armazenada no subsolo”, alertou Lúcia Mendes.

O Conselho Deliberativo da Área de Preservação Ambiental (APA) do Planalto Central publicou uma moção técnica defendendo a criação de um Parque Nacional para proteger integralmente a Gleba A. O documento destaca riscos ecológicos previstos no Zoneamento Econômico Ecológico (ZEE) do DF, como perda de solo por erosão, de Cerrado nativo e de recarga de aquíferos, além de contaminação de águas subterrâneas. A Lei Complementar nº 1.065/2026 classifica a região como Área Prioritária para Promoção da Resiliência Hídrica (APRH) e com potencial de recuperação ecológica.

Em março, a Justiça Federal proibiu temporariamente o GDF de vender a área para socorrer o BRB, citando risco de subavaliação, mas a liminar foi derrubada pelo desembargador Roberval Belinati, do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT). Ao menos duas ações diretas de inconstitucionalidade e uma ação civil pública questionam a alienação da gleba para fins imobiliários.

O BRB enfrenta crise de confiança e problemas de liquidez devido à compra bilionária de carteiras de crédito e ativos de baixa liquidez do Banco Master. A Polícia Federal investiga suspeitas de fraude na operação de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos.

A reportagem procurou a Secretaria de Comunicação (Secom) do GDF para esclarecimentos sobre a manutenção da Gleba A entre os imóveis de garantia, mas ainda aguarda resposta.

Com informações Agência Brasil

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