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Brasília

Parque da Cidade é o primeiro do DF a reservar um local para que os cachorros brinquem

Arquivo Geral

10/07/2014 7h00

O maior parque urbano do mundo agora também tem um espaço reservado para o melhor amigo do homem. O Parque para Cachorros, ou Parcão, como é chamado, tem uma área de aproximadamente 1,5 mil metros quadrados e, por enquanto, está apenas cercado. Essa  é uma conquista reivindicada há dois anos pelo público do Parque da Cidade Sarah Kubitschek. O local tem grama, areia e árvores, mas até o fim deste mês, obstáculos, bebedouros, lixeiras e bancos serão instalados. A intenção é que todos os parques do Distrito Federal tenham espaços  como esse.

“Finalmente o projeto saiu do papel”, comemora o publicitário Raphael Pontual, que tem dois cães da raça Golden Retriever  e é um dos idealizadores da proposta. No espaço, próximo à saída do Sudoeste, cabem   cerca de cem cachorros, para que possam   se divertir sem coleiras, mas com supervisão dos donos. 

Junto com o servidor público Bruno Tempesta, Raphael levanta a bandeira da liberdade canina nos parques desde 2012. Eles acreditam que a área cedida  não é a melhor, mas aceitável para o que está proposto. “Aqui tem três características importantes: é bem arborizado, tem acesso fácil e não está próximo do convívio com pessoas que podem não ter afinidade com cães”, explica Bruno. 

Socialização

Simone Lima, diretora da Associação Protetora dos Animais do DF (ProAnima) e especialista em comportamento animal,  garante que a socialização dos cães em espaços como o Parcão é essencial para a saúde física e mental dos bichos. “Quanto mais contato deles  com   humanos e animais,   menor a possibilidade de acidentes com mordedura”, explica. 

Agora, o espaço está apenas cercado, mas até o fim do mês a estrutura deve estar completa. É o que garante Juliana Neto, administradora do Parque da Cidade: “Vamos instalar bebedouros e obstáculos, por exemplo”, adianta. 

Ela entende que o espaço é uma necessidade dos frequentadores, que sempre levam os animais para passear. “No fim das contas, os cães também são nosso público”, diz.

A estudante Bárbara Tavares,   31 anos, costumava levar sua labradora Dalila, de dez anos, para a Ermida Dom Bosco. “Lá eu posso deixá-la livre para correr, entrar na água e se divertir”, conta. Quando soube do novo espaço, ficou entusiasmada. “É uma ótima notícia! O parque precisava disso”, comemora. 

Ainda em construção
 
O primeiro passo foi dado, mas o Parcão ainda não está totalmente concluído. Quem passa na frente  pode ver o local cercado com areia, grama, árvores e, eventualmente, cães correndo atrás de bolas. A grade é pequena e um animal de grande porte pode facilmente pular e chegar à rua, onde carros passam a todo momento. Os idealizadores da ação explicam que o material foi reaproveitado de outros pontos do parque, mas o aumento da cerca já está em planejamento. 
 
Os pontos de água e os obstáculos já foram garantidos. “Queremos ainda construir banheiros para os donos, arrumar o estacionamento e fazer uma ou outra implementação simples para ficar perfeito”, conta o publicitário Raphael Pontual. 
 
Para o projeto ser concluído, ainda falta a divisão do Parcão em três espaços, para que os animais fiquem separados por porte e sociabilidade – os mais agressivos ficarão em local separado até que possam conviver com os outros bichos. 
 
“É importante destacar que nenhum cachorro é totalmente antissocial, mas alguns nunca tiveram contato com outros cães e é natural que estranhem”, observa Raphael.
 
Regras para uma boa convivência
 
A diretora da Associação Protetora dos Animais do DF (ProAnima), Simone Lima, ressalta que nem todos os cães são bons candidatos ao tipo de local como o Parcão, uma vez que alguns podem desenvolver atitudes agressivas. 
“Os donos devem ter cuidado e saber  se os bichos têm condições de brincar com outros cachorros”, esclarece a   especialista em comportamento animal. A solução apontada é acompanhar o cão com a guia para ver como ele se comporta antes de soltá-lo. 
 
E para garantir que o Parcão não vire bagunça, algumas regras de convivência ficarão estampadas em uma placa. “Isso garante o bem-estar dos humanos e dos animais”, destaca Bruno Tempesta, um dos idealizadores. Os donos devem  recolher os dejetos e levar água, além de   evitar alimentar os bichos no local. 
 
É importante, ainda, que cadelas no cio não sejam levadas, para evitar problemas. Nenhum animal deve ficar sem supervisão do dono. “Não é para deixar o bicho aqui e sair pelo parque. O dono precisa ficar junto enquanto o cachorro estiver aqui”, avisa Bruno Tempesta. 
 
Ampliação de parques
 
A intenção não é restringir o Parque para Cachorros ao Parque da Cidade, mas levar um espaço desses para cada cidade do DF. “Apresentamos o projeto para o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) justamente para ampliá-lo. O Taguaparque, em Taguatinga, pode ter um Parcão, o parque da Boca da Mata, em Samambaia, também” aponta Raphael Pontual, outro idealizador da ação. 
 
Simone Lima  defende essa ideia: “Gostaria de ver um Parcão em cada quadra e em cada cidade. E o Distrito Federal tem espaços para isso”, diz a especialista em comportamento animal. E Bruno Tempesta questiona: “Se Brasília é a ‘cidade parque’, por que não pode ter um espaço reservado para esses animais?”. 
 
Procurado, o Ibram informou não ter conhecimento do projeto, mas   simpatiza com a iniciativa sob a perspectiva institucional. Entretanto, a pasta ressalta que as características de cada parque devem ser observadas. 
 
“Em alguns, mais urbanizados, é possível que esses espaços sejam replicados. Já naqueles com características diferenciadas, tais como presença de fauna silvestre, entre outros aspectos ambientais, não é compatível a presença de animais domésticos”, informou.

Ideia aprovada
 
De bicicleta, Kátia Garcia, de 49 anos, carrega nas costas e na cesta dois Dachshunds, mais conhecidos como “salsichas”. Para ela, que sempre leva os bichos ao parque, o Parcão é uma boa iniciativa. “Em Brasília não temos muitos locais para libertar os cachorros. O espaço, que agora será o Parcão, estava vazio e inutilizado. Agora, vai estar bem frequentado”, opina.
 
Saiba mais
 
O Parcão já existe em outras grandes cidades brasileiras, como Blumenau (SC), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS).
 
Nesta última   existe uma lei municipal que determina que todos os parques que tenham mais de dez hectares possuam uma área exclusiva para animais domésticos.

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