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Brasília

Parque Canjerana, no Lago Sul, deve mudar de categoria e comunidade teme prejuízo

Arquivo Geral

27/11/2017 7h00

A área, de quase 50 hectares e dividida em três módulos, é cercada. Foto: Divulgação

Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupojbr.com

O Parque Ecológico e Vivencial Canjerana, no Lago Sul, deve mudar de nome e de categoria. A área, de quase 50 hectares e dividida em três módulos, é cercada. Placas indicam que trata-se de área de proteção ambiental: “não ultrapasse”. Mas a ordem nem sempre é respeitada. Há relatos de acesso em busca de frutas, para acesso ao Lago Paranoá e até mesmo de caça de animais nativos. Na beira da Estrada Parque Dom Bosco (EPDB), é possível ver lixo. A vizinhança teme que mudanças permitam ainda mais estragos.

O parque foi criado com o principal objetivo de proteger as nascentes do córrego Canjerana, localizado dentro da Área de Proteção Ambiental do Lago Paranoá. Sua extensão é de 49,2394 hectares, o equivalente a mais de 80 campos de futebol, dividida em três módulos. Inicialmente, o tipo era de Parque Ecológico e Vivencial, o que foi alterado, em 2010, para Parque Ecológico. Agora, uma nova mudança está prevista.

Proteção

A legislação vigente prevê conservação e proteção dos ecossistemas, além da recuperação de áreas degradadas e incentivo à pesquisa. Hoje, a fauna e a flora são protegidas por grades, mas, à beira da pista, é visível que o local é castigado pela poluição.

É a população vizinha quem faz a vigilância do local. O engenheiro florestal Celso Schenkel, 61 anos, mora há 15 anos nas proximidades do parque e conta desde o início havia polêmica em relação à finalidade adequada para a área protegida.
“Enquanto não se consolida como refúgio de vida silvestre, adotamos o princípio da precaução. Fazemos vigilância para manter a integridade do parque”, afirma.

Há relatos de pessoas que ultrapassam os limites permitidos e para catar frutas e até caçar animais, especialmente capivaras, que vivem em maior número ali. Quando identificada a irregularidade, a Polícia Militar Ambiental é acionada.

Refúgio

A preocupação da vizinhança é que a área seja aberta para a população, descaracterizando a função de preservação. “Causaria impacto grande no entorno da mata. Mesmo com vigilância, é difícil conseguir coibir coisas erradas que as pessoas que visitam parques fazem, às vezes até por desconhecimento dos limites de área protegida. Faltam informação, divulgação e educação ambiental para que as pessoas entendam que aquilo não tem vocação de visitação”, diz o engenheiro florestal que vive ali, Celso Schenkel.

Alteração depende da CLDF

O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) garante que não há previsão de liberação de uso para lazer. O parque é uma das unidades de conservação do Distrito Federal e está entre os 73 que devem ser categorizados. A ideia é que ele seja transformado em Refúgio de Vida Silvestre, ou seja, uma unidade de proteção integral com área de acesso mais restrito. A aprovação dessa alteração depende da tramitação da proposta na Câmara Legislativa do DF, pelo fato de o parque ter sido criado por lei.

“Os Refúgios de Vida Silvestre têm por objetivo proteger os ambientes naturais, onde se asseguram condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades de flora e fauna residentes ou migratórias”, explica o órgão.

Se aprovada a reconfiguração, “as condições, regras e restrições sobre visitação, como por exemplo, autorização de entrada para fins de realização de pesquisa científica ficam dispostas em plano de manejo, que está em andamento”, explica o Ibram.

“Cada área protegida tem um conselho composto por governo e comunidade. Tem que ser discutido conosco e esperamos que isso ocorra o mais breve possível”, pede o morador Celso Schenkel.

Saiba mais

  • A recategorização é uma determinação do Sistema Distrital de Unidades de Conservação da Natureza, instituído em 2010. O texto estabelece os critérios e as normas para criação, implementação, alteração e gestão das áreas em Brasília.
  • Segundo o governo, a alteração condiciona o recebimento de recursos de compensações ambientais, uma contrapartida paga pelos responsáveis por um empreendimento ou por uma atividade que cause algum tipo de dano ao meio ambiente.
  • Procurada, a Agência de Fiscalização (Agefis) informou que está fazendo a desobstrução da orla e, por conta disso, as cercas das QLs da 22/24, se liberadas, dariam acesso ao parque. Porém, essas cercas não serão removidas até que o Ibram decida sobre a abertura ou não do espaço.

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