Somente na manhã de sábado, os parentes das vítimas foram avisados sobre a tragédia. Fabrício Lira, irmão de Juliana, Liliane e Rita, recebeu o telefonema com a notícia por volta das 10h. “Não sabia que elas tinham ido para essa festa. Acho uma falta de responsabilidade convidar um grande número de pessoas para passear em um barco que não comporta tantas pessoas”, disse.
Liliane, Juliana e Rita de Cássia moram em um apartamento na Praça do Bicalho, em Taguatinga. Enquanto Liliane trabalha em um salão de beleza, Juliana exerce um cargo administrativo em um escritório de engenharia. Rita de Cássia, que está internada, trabalha como empregada doméstica.
Pouco antes da tragédia, uma das jovens desaparecidas chegou a ligar para outro irmão, que estava em casa, e avisou que participaria de uma festa de aniversário no Lago Norte. “Eu cheguei a ouvir o barulho da música. Só entrei em desespero na manhã de hoje (ontem) quando elas não retornaram para casa”, contou ele, que não quis divulgar seu nome.
Na manhã de ontem, no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), Júlia Serra de Oliveira, 18 anos, e Marcos Paulo França Mercaldo, 20, que estavam na lancha que naufragou, aguardavam notícias sobre o estado de saúde das três jovens em observação.
Tanandra Carvalho Mendes Lima, 21 anos; Rita Queiroz Lira, 26 anos, e Natália Serra de Oliveira, 22 anos (irmã de Júlia), foram internadas com quadro de hipotermia. Minutos depois, começaram a chegar familiares de Júlia e Rita, bastante transtornados.
“Nós resolvemos andar de lancha e saímos por volta das 3h. Sempre fazíamos isso e nunca tivemos problemas”, contou Marcos. Segundo ele, todos os rapazes são amigos de infância. Marcos contou que tudo ocorreu quando eles estavam no meio do Lago Paranoá. “Foi uma marola que entrou no barco. Eu nunca tinha visto isso antes. O barco começou a afundar e todos dispersaram, não vi mais ninguém. Fiquei mais ou menos uma hora nadando até chegar no Clube do Congresso. Foi quando eu liguei para os bombeiros”, justifica.
O médico plantonista Cássio Luiz dos Santos confirmou que todas as jovens tinham chegado ao hospital conscientes e que apenas Rita estava agitada e teve de ser sedada. As garotas internadas precisaram passar por uma bateria de exames de rotina para verificação de possíveis complicações.
A funcionária pública Lucineide Serra, 48 anos, mãe de Julia, disse que só ficou sabendo do ocorrido pela manhã e foi para o hospital, onde chegou muito abalada e chorando.
Clédina Queiroz Lira, 30 anos, irmã de Rita e das duas desaparecidas, comentou o acidente. “Minha irmã (Rita) disse que ficou boiando, mas ela não sabe explicar como. Tanto ela como as outras duas não sabiam nadar. Ela me contou também que desmaiou porque bebeu muita água e depois boiou”, completa.
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