Francisco Dutra
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Parentes e amigos de condenados que cumprem pena, principalmente, no Complexo Penitenciário da Papuda reclamam de abusos nos dias de visita. Por segurança, só são permitidos determinados tipos e cores de roupas. Mas, de acordo com as visitantes, não está havendo um critério para a exigência.
“Tem dias que pode uma cor e não pode outra. E na próxima visita a mesma cor que era permita é proibida”, conta C.M., mulher de um detento, que pediu para não ser identificada. Proibidas de entrar nos presídios, elas acabam voltando para casa sem ver os parentes, ou têm que comprar roupas novas com vendedores que ficam nas portas do presídios. “As (mulheres) mais jovens passam por muita vergonha. E as mães? São senhoras de idade. É muito constrangimento para elas”, reclama.
Outra queixa é a proibição da entrega de legumes para os detentos. “A comida lá dentro é muito ruim. Com uma cebola, um tomate e um pimentão eles podem fazer uma boa refeição”, explica C.M.. Segundo as visitantes, a proibição da entrada de legumes força os detentos a comprarem os alimentos nas cantinas, onde o valor dos produtos seria muito maior do que o praticado no comércio em geral.
Para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do DF, a circulação de papel moeda dentro dos presídios abre espaço para que o poder paralelo do crime ganhe espaço dentro dos presídios. De acordo com a Comissão, o constragimento com a troca de roupas poderia ser amenizado com guarda-volumes e locais próprios para a troca de vestes. Quanto ao comércio na cantina, a dúvida é: para aonde vai o dinheiro acumulado com as vendas?
Segundo o diretor da subsecretaria do Sistema Penitenciário do DF e também delegado, Adiel Teófilo, as visitantes que passarem por abusos devem denunciar de imediato o caso. “Elas também podem recorrer ao coordenador de equipe de visita. Ele é o fiel da balança que pode resolver a situação na hora”, conta.
Projetos
Também já existem projetos para minimizar as reclamações com a alimentação. “Trabalho há quatro anos no sistema prisional e nunca foi permitida a entrada de legumes. São permitidos seis tipos de frutas, biscoitos e só. Estamos pedindo uma quarta refeição diária para os presos. Se conseguirmos, não vamos mais precisar que alimentos sejam entregues para os presos”, revela Teófilo.
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