Da Redação
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Solange (*), moradora de Santa Maria, sofre há mais de quatro anos com o vício do marido em álcool. Casada há 26 anos, ela disse que não sabe de onde tira forças para enfrentar o problema ao lado dele. Desde outubro do ano passado que Solange, de 46 anos, o acompanha até o Guará II, todas as quartas-feiras, para as sessões de tratamento do Centro de Atenção Psicossocial/Álcool e Drogas (CAPSad). “Agora, ele já consegue ir sozinho ao CAPSad, mas, no início, eu sofri muito. Até hoje eu choro, sofro, fico desesperada. Tem dias que a gente não sabe o que fazer. Tenho esperança de que um dia isso acabe”, desabafou. A dona de casa é apenas uma entre centenas de mulheres do DF que sofrem com a dependência química, cada vez maior, na região.
Assim como Solange, Fernanda (*), 35 anos, busca, junto a voluntários de saúde mental, uma solução para o problema que enfrenta há dez anos. “Meu filho é viciado em crack. Ele diz que não, mas eu já vi, eu sei. Eu não sei como ajudá-lo e não posso abandoná-lo. Eu sou a mãe dele, né? Como faz?”, disse, chorando, a diarista.
Apreensões
No DF, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) divulgados pelo Jornal de Brasília na última segunda-feira, a apreensão de crack teve um crescimento de 175% no ano passado, com 11.967 gramas. Em 2008, foram 4.342 pedras tiradas de circulação. Para Fernanda, as apreensões não tiram a droga das ruas. Ela acredita que só a conscientização pode salvar seu filho e outros viciados. “Todos têm que lutar contra o crack. Enquanto uma pessoa usar, vão continuar traficando.”
São crianças, jovens, adultos, homens e mulheres. Qualquer um, segundo a terapeuta ocupacional do CAPSad Maria Cecília Santos, está sujeito a cair nas tentações das drogas. “O mais importante no combate ao vício é o apoio da família. Esses indivíduos não podem perder a rede social de convívio deles, por isso os familiares devem acompanhar todo o tratamento”.
(*) Nomes fictícios
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