Da Redação
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Os brasilienses devem se preparar para enfrentar mais um dia conturbado no transporte público. Os rodoviários, que não receberam ontem o adiantamento de 40% do salário, como acordado com os empresários do setor, prometem realizar uma série de paralisações relâmpago ao longo de todo o dia de hoje. A medida é uma forma de pressionar pelo pagamento. Os locais e horários não estão definidos.
Ontem, após um princípio de paralisação realizada no Setor P Sul e Setor O, em Ceilândia, as duas partes sentaram para conversar, mas sem acordo.
Com o fim da greve no dia 26 de junho, ficou acertado o pagamento de 40% dos salários adiantados no dia 20, além de cesta básica. As empresas que não efetuaram pagamento dos funcionários foram a Viação Planalto (Viplan) e a Viação Planeta.
O Sindicato dos Empresários (Setransp) informou, por meio de nota, que o adiantamento não foi depositado, pois as empresas não teriam dinheiro em caixa para pagar. Além disso, informa ter tentado conseguir empréstimos, mas os bancos teriam negado por receio de não serem pagos, já que o setor, segundo o próprio sindicato, opera em deficit. Eles aguardam posição do governador, Rogério Rosso, sobre a análise das planilhas e o aumento das passagens.
Em entrevista ao Jornal de Brasília, Rosso foi duro sobre a postura do Setransp, “Se acham que não cumprindo o acordo – o que acaba em greve – estão pressionando o governo, não estão. O que pressiona o governo é a melhoria no serviço. Vamos enfrentar o setor e quebrar paradigmas se precisar, mas qualquer movimento para forçar a barra vai acabar perdendo”.
Depois do posicionamento do Setransp, a assessoria do governador apenas afirmou que a negociação e o pagamento dos rodoviários é uma negociação de responsabilidade dos sindicatos. Sobre as análises de planilhas, dado que poderia justificar uma negativa do aumento ou a implementação do mesmo, a assessoria não quis se manifestar.
Para o membro da Secretaria Geral do Sindicato dos Rodoviários do DF Cláudio Galvão, a ação dos empresários surpreendeu a todos no sindicato. Para o dirigente, esse ato foi intencional por parte dos empresários. “Não parece em nada com falha administrativa. Estamos tentando resolver pela via do diálogo”.
Segundo Assessoria de Imprensa do Setransp, os empresários pediram à diretoria do Sindicato dos Rodoviários que não entrassem em greve. O reajuste salarial da categoria, que finalizou a última paralisação, foi de 9%, mais a cesta básica no valor de R$ 115. Os motoristas e fiscais recebiam R$ 1.186 e passaram a receber R$ 1.293. Já os cobradores, que tinham piso salarial de R$ 620, agora devem receber R$ 675.
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