Cerca de duas mil pessoas compareceram a mais uma parada do Orgulho LGBTS. Desta vez, a edição foi em Ceilândia e reuniu adeptos e simpatizantes de diversas localidades do Distrito Federal e da Região Metropolitana. A uma semana das eleições, o encontro serviu de alerta para a escolha, na urna, dos políticos engajados com a causa.
Em meio à alegria, havia candidatos ao cargo de deputado distrital aproveitando a aglomeração de pessoas na Avenida Helio Prates para distribuir santinhos. Tinha até candidato com o nome e o número da candidatura no símbolo do orgulho gay, a bandeira com as cores do arco-íris.
Consciência política
A campanha #TireSeuVotoDoArmário, idealizada pelo próprio grupo e repercutida nas mídias sociais desde o início do período eleitoral, tem sensibilizado a população para o voto consciente. Uma das orientações para o público-alvo é de que seja feita uma pesquisa verificando quais projetos e o que o candidato ou candidata já fez em prol ao movimento LGBTS.
O encontro foi embalado por dois trios elétricos que percorreram toda a avenida da cidade. Além de música eletrônica, palavras de ordem e incentivo para quem ainda não assumiu sua orientação sexual.
“Vamos nos soltar. Também somos gente. Nossa orientação não é uma escolha. Já nascemos assim”, dicursava o locutor em cima do caminhão.
O movimento também ganhou a simpatia de famílias que paravam para acompanhar a festa.
Liberdade acima de tudo
As asas grandes e brancas do estudante Leandro da Silva Dantas, 21, chamavam a atenção de longe. Para ele, elas simbolizam a liberdade e o começo de uma outra vida. . “Eu sou feliz assim. As asas dão mais cor e beleza a este evento”, ressaltou o morador de Taguatinga.
Elas também foram observadas pelo autônomo Amauri Martins de Souza, 55, residente em Ceilândia. Mas, para ele, o conceito é outro: “É uma pouca vergonha. Uma afronta à democracia brasileira”, dizia em bom e alto som.
A crítica foi prontamente respondida por Leandro, com passos de dança e um beijo em outro garoto que o acompanhava. Mas apesar da tensão entre os dois, o clima que tomou conta da Avenida Hélio Prates foi de festa até o fim do evento. Até o fechamento desta edição, a Polícia Militar não havia registrado qualquer ocorrência no local. Duas equipes de dez policiais ao todo fizeram a segurança dos participantes.
Nem mesmo os motoristas que precisaram esperar os trios elétricos cruzarem a pista reclamaram da demora causada pelo congestionamento. “Acho válida a causa deles. Esperar 20 minutinhos não vai matar ninguém”, disse o feirante Júnior Mendanha, 35, que se dirigia ao centro de Ceilândia e era o primeiro do grande engarrafamento que a multidão presente no evento provocou no início da noite.
“O governo autoriza eles fazerem esse evento”, conclui.
Homofobia
O Projeto de Lei da Câmara 122/06 visa criminalizar a discriminação motivada unicamente na orientação sexual ou na identidade de gênero da pessoa discriminada.
Se aprovado, irá alterar a Lei de Racismo para incluir tais discriminações no conceito legal de racismo – que abrange, atualmente, a discriminação por cor de pele, etnia, origem nacional ou religião.
saibamais