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Brasília

Para conter surto, GDF começa a vacinação contra meningite na segunda-feira

Arquivo Geral

26/05/2010 10h55

A vacina que previne a meningite pneumocócica estará disponível nos postos de saúde do Distrito Federal a partir de segunda-feira, para as crianças até dois anos. A previsão era para que chegasse em março, mas o Ministério da Saúde adiou o início da aplicação para não chocar a data com a campanha de vacinação da gripe H1N1. O imunizante também previne a pneumonia e otite média, além de algumas formas de bronquite e sinusite.

O DF registrou este ano 43 casos de meningite e nove mortes pela doença. Sendo que em apenas dois dos casos a vacina pneumocócica seria preventiva, os demais são relativos a outros tipos de meningite. Segundo a Secretaria da Saúde, o Ministério da Saúde, a partir de estudos, classificou as infecções causadas pela meningite pneumocócica importantes, porque atingem o sistema respiratório, tornando-se prejudiciais para muitas crianças. Então, o Sistema Único de Saúde (SUS) começa a oferecer gratuitamente a prevenção. A Secretaria da Saúde também afirma que não há uma regional em que o número de casos tenha sido maior. A meningite atingiu de forma equivalente as cidades do Distrito Federal.

Esse ano é o primeiro em que a vacina pneumocócica faz parte do calendário de rotina do País. As crianças até dois anos de idade poderão ser imunizadas. A partir do ano que vem, serão vacinadas as crianças de até um ano de idade, que é o período indicado para vacina. No mercado privado o imunizante pode chegar a custar cerca de R$ 500.

As vacinas pneumocócicas enviadas pelo Ministério da Saúde ficaram dois meses na farmácia da Secretaria da Saúde. Agora, segundo a Secretaria, com a chegada da data de início da prevenção, a distribuição para os postos de saúde já começou. O atraso da imunização não comprometerá o início da vacinação contra meningite C, prevista para agosto.
susto
A atriz Raquel Mendes, 51 anos, pegou meningite quando tinha 15 anos e morava na 709 Sul. “Eu quase não aguentei, sobrevivi por sorte”, alega. Ela conta que ao chegar no hospital, o médico já avisou para o pai dela se preparar para o pior. “Eu não tinha mais controle das pernas, dos membros”, lembra-se. Na opinião de Raquel, se há vacina é bom tomar e se prevenir. Segundo ela, na época houve um surto da doença em Brasília. “Foi uma epidemia muito forte. O hospital estava lotado, cheio de gente com meningite”, afirma.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças pneumocócicas são as principais causas de morte de crianças menores de cinco anos que poderiam ser prevenidas com a vacinação. A organização recomenda que todos os países incluam a vacina contra doenças pneumocócicas em seus calendários pediátricos de rotina.

Segundo o Ministério da Saúde, o pneumococo causa cerca de 1,5 mil  casos de meningite, 20 mil hospitalizações por pneumonia e mais de três milhões de casos de otite média aguda por ano, no Brasil. A estimativa é que a inclusão da vacina no calendário nacional reduza cerca de dez mil mortes de crianças por ano. A imunização se configura, assim, como mais um instrumento para que o país acelere a redução da mortalidade em crianças com menos de cinco anos e cumpra antecipadamente uma das metas dos Objetivos do Milênio, estabelecidos pela OMS. Com a imunização das crianças, a circulação da bactéria no ambiente diminui e o efeito positivo é sentido também entre os adultos.

O imunizante adquirido pelo Ministério é eficaz contra dez sorotipos do pneumococo. Com isso, a cobertura da doença passa dos 70% do ano passado para 82,5% dos casos registrados no Brasil. Em 2010 o Ministério da Saúde começa a investir R$ 400 milhões por ano na compra da pneumocócica.

A vacina é fabricada no laboratório de Biomanguinhos da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), um dos principais produtores de vacinas do país. O combinado é que a Fiocruz entregue 13,1 milhões de doses da vacina por ano, quantidade suficiente para imunizar os 3,2 milhões de bebês que nascem a cada ano.

Para produzir a vacina, o Ministério firmou acordo de transferência de tecnologia com a empresa inglesa GlaxoSmithKline (GSK). O trato termina em 2017, quando o laboratório da FioCruz passará a dominar todas as etapas, tornando-se autossuficiente na produção do imunizante.

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