Em uma competição esportiva, é quase impossível não perceber a religiosidade dos atletas. Antes, depois e até durante as provas. Para dar apoio espiritual e oferecer um espaço de reflexão, grandes eventos esportivos, como o Pan e a Olimpíada, costumam montar um espaço e disponibilizar líderes religiosos para os esportistas.
No Rio, foi instalado, na área de serviço da Vila Pan-Americana, um centro ecumênico que contempla cinco religiões: católica, protestante, espírita, muçulmano e judaísmo. Mas, mesmo com a importância da raiz africana na formação do povo americano, nenhum lugar foi especialmente destinado a quaisquer das muitas religiões de origem na África.
Segundo o coordenador da Capelania, pastor José Paulo Moura, a escolha representa os principais segmentos religiosos da América. Mas, caso algum atleta peça por um auxílio de outra religião, a Capelania tem uma lista de possíveis autoridades. Até o momento, diz, isso não foi necessário.
Os esportistas aprovam a idéia de um espaço religioso na Vila. As judocas brasileiras Daniela Polzin e Priscila Marques sempre pedem proteção a Deus antes das lutas. O mesmo acontece com a seleção feminina de vôlei. Segundo o técnico José Roberto Guimarães, a religião católica predomina no grupo e, antes das partidas, as atletas costumam rezar o Pai-Nosso.
O apego à Nossa Senhora também é perceptível entre as brasileiras do handebol. “Sempre rezamos um Pai-Nosso e uma Ave-Maria. O sentimento de ter Deus ao nosso lado é importante para nos dar confiança para a disputa”, revela a ponta-direita Viviane Jacques. Mesmo com todas as crenças e superstições, nenhuma dessas atletas visitou o centro.
A maioria dos estrangeiros entrevistados diz não saber da existência da Capelania, embora reconheçam a importância do apoio espiritual durante as competições. Para o técnico da delegação de boxe da Nicarágua, Leivy Martinez, não é necessário ser adepto de uma religião, mas ter religiosidade. “O importante é acreditar em Deus. Mesmo que peçamos Sua proteção para vencer, tudo depende do quanto nos dedicamos aos treinos”, afirma.
* Da parceria do JBr com a Universidade Católica
