Rosana Jesus
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Com a paralisação dos ônibus escolares da rede pública, pais de alunos estão se virando como podem para não deixar os filhos faltarem à aula. Entretanto, a categoria alega atraso no repasse de recursos ao setor.

Eliene paga quatro passagens por dia para levar a filha à escola. Foto: Angelo Miguel
Eliene Fortuna, de 43 anos, é moradora de Ceilândia e fala sobre a luta de levar a filha de 13 anos à escola. “Tenho que ir porque ela já foi assaltada e tenho medo de deixá-la ir sozinha”. A mãe relata, também, que precisa pagar quatro passagens por dia sem ter condições. “Meu marido está desempregado, gasto dinheiro que não tenho”, diz a dona de casa. Ela conta que para deixar a filha no Centro de Ensino 14, de Taguatinga, precisa levar o filho de 2 anos junto. “Tenho um braço quebrado e o bebê é pesado, isso está me prejudicando muito. Eu sei que eles estão no direito, mas edução é prioridade.”
A situação de Grazyele Vasconcelos é parecida. Ela precisa acordar mais cedo para deixar o filho de 8 anos na escola, em Taguatinga. “Saio de Samambaia 40 minutos antes do normal, passo na casa da minha tia e deixo ele (o filho) lá. Se eu fosse levá-lo à escola, chegaria no meu trabalho bem atrasado”, diz a professora, de 27 anos, que trabalha no Gama.
Sem verba
Representantes da categoria afirmam que a ação deve continuar até surgir um posicionamento do governo. “Até agora, a única coisa que o GDF disse foi que não vai pagar porque não tem verba. Sendo assim, a categoria continua com a greve”, informou a advogada da Associação das Empresas de Transporte Escolar de Brasília, Elisa Caris. Ela ainda acrescentou que a medida não tem intenção de prejudicar os alunos, mas é necessária. “Os motoristas não têm como abastecer, isso é ruim para todos, mas dependemos do governo, que disse que não vai pagar”, completou.
Elisa disse ainda que os 700 coletivos parados atendem cerca de 60 mil alunos por dia, em todas as regiões do DF, principalmente do Plano Piloto. “É muita gente que precisa do benefício, mas essa é uma reclamação que precisa ser feita ao GDF, não há possibilidades de trabalhar sem receber o pagamento em dia”, argumentou a advogada.
Posicionamento
A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE-DF) informou que o repasse para as dez empresas de transporte escolar está atrasado por falta de verba. O órgão esclarece ainda que está buscando recursos para resolver o problema, mas ainda não tem um prazo estabelecido.