Jurana Lopes
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O ano letivo ainda não acabou, mas os pais já estão de olho nas despesas extras do início de 2016. Além das contas de IPTU, IPVA e imposto de renda, ainda há os gastos com materiais escolares de crianças e adolescentes. Para as famílias não serem pegas desprevenidas, é necessário fazer um bom planejamento do orçamento familiar, com o máximo de antecedência possível. Caso contrário, esses gastos extras podem levar ao endividamento e a problemas decorrentes dele, como ter o nome inscrito em serviços de proteção ao crédito e o pagamento de juros de forma desnecessária.
Além disso, os preços dos materiais escolares tendem a subir. Em matéria publicada no início do mês, o Jornal de Brasília alertou sobre o aumento no custo de produtos. Nos últimos 12 meses, a inflação da educação teve a maior taxa desde janeiro de 2005, com alta de 9,1%. Não bastasse o reajuste das escolas particulares, que podem chegar a 21%, o preço do material escolar deve ficar, em média, 10% mais caro.
Fabricação
De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares e de Escritório (ABFIAE), os produtos fabricados em território nacional (caneta, borracha) podem aumentar até 11%, enquanto os importados (mochilas, lancheiras) devem ficar até 35% mais caros.
Por causa disso, quanto mais cedo puder ser feita a aquisição, melhor é a economia e a oferta de produtos nas prateleiras. Muitas das marcas mais baratas são mais procuradas e tendem a ter seus estoques esgotados precocemente, restando apenas as opções mais caras.
Antecipação
Com a finalidade de economizar, muitos pais já se adiantaram e compraram todos os materiais escolares antes mesmo da primeira parcela do 13º salário ser paga. Esse foi o caso da dona de casa Luciana Filgueiras, de 44 anos. Ela tem duas filhas, de 11 e sete anos e, já comprou todo o material escolar das meninas.
“Quando vi o anúncio de que os preços iriam aumentar, corri para a papelaria e comprei tudo. Mas somente o que elas realmente precisam, ou seja, nada de mochila nova”, explicou a dona de casa.
Luciana também aproveitará os lápis de cor e as canetinhas que vão sobrar para utilizá-los no próximo ano letivo. “A crise faz com que a gente reaproveite tudo e se antecipe. Antigamente, ou eu comprava o material delas no exterior ou, então, uma semana antes do início das aulas”, relatou.
Orçamentos comparados
A treinadora de ginástica rítmica Paula Keiko, 41 anos, pegou ontem a lista de material escolar do filho, de 12 anos. Ela assegura que pretende comprar todos os itens antes de o ano acabar. Entretanto, pretende fazer orçamentos em pelo menos três papelarias.
Paula também quer pesquisar bastante antes de comprar os livros pedagógicos. Segundo a treinadora, nem sempre comprá-los em uma única livraria é sinal de economia. “Às vezes, sai mais barato comprar os livros em locais diferentes e aos poucos”, afirmou.
Paula se diz preocupada com tantos aumentos, tendo em vista que a mensalidade da escola do filho foi reajustada em aproximadamente 15%.
Na última hora
Apesar de ter conhecimento sobre o aumento dos preços, o professor Alexandre Godoi, de 46 anos, admite que ainda não começou a se programar para o início do próximo ano letivo. Ele é pai de duas meninas, de quatro e dois anos, e revela que sempre deixa para comprar o material escolar das filhas na semana que antecede as aulas.
“Eu não deveria fazer isso, pois comprar antecipado alivia um pouco o bolso, mas acabo deixando para a última hora”, afirma. Alexandre ressalta que só comprará o básico, mesmo que as filhas peçam mochilas novas.

Fim do ano letivo só em janeiro
Por causa dos 29 dias de greve dos professores, 470 mil alunos da rede pública terão o término do ano letivo somente em meados de janeiro. As escolas que paralisaram totalmente tiveram uma perda de 19 dias de aula e, mesmo repondo o conteúdo a partir de sábado, só conseguirão finalizar a carga-horária no dia 22 de janeiro.
Os estudantes já se conformaram em passar as férias estudando. Matheus Pavarin, de 17 anos, está no 3º ano do Ensino Médio e disse que terá de cancelar a viagem que faria no período do Natal e do ano-novo.
Pablo Dias, de 15 anos, que cursa o 2º ano do Ensino Médio, considerou a greve prejudicial. “Vou fazer o PAS (Programa de Avaliação Seriada da Universidade de Brasília) e acabei perdendo muito conteúdo. Só o que estudei por conta própria não será suficiente. Eu pensava em ter férias em todo o mês de janeiro. Agora vou ter de estudar”, destaca o estudante.
De acordo com a Secretaria de Educação, foram feitas mais de 42 mil solicitações de inserção na rede pública. Por isso, a pasta prevê 500 mil alunos matriculados na rede pública em 2016. Por causa da greve e da reposição das aulas, o calendário escolar de 2016 ainda não foi definido. A expectativa é que as aulas iniciem em fevereiro. Enquanto isso, cerca de 200 mil alunos da rede particular de ensino devem iniciar o próximo ano letivo em 25 de janeiro de 2016.
Transporte escolar
Com a proximidade da volta às aulas, muitos pais começam a procurar transporte escolar para garantir que os filhos cheguem ao colégio sem atraso e voltem para casa com tranquilidade. No entanto, antes de contratar o serviço, é preciso verificar se o veículo tem permissão para transportar crianças e adolescentes e ficar atento aos itens de segurança.
Segundo o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), é necessário verificar se o veículo está autorizado a transitar como transporte escolar e se a autorização está no prazo de validade. Outra orientação do órgão é checar se o condutor tem cadastro no Núcleo de Operações Técnicas (Nuote) do Detran-DF.
Ponto de vista
Segundo Cleber Andriotti Castro, consultor empresarial e em gestão financeira, assim que receber a lista de materiais, os pais devem pesquisar e pedir desconto: “Ao adquirir o material de uma só vez no mesmo lugar, as lojas costumam conceder descontos que podem chegar a 20%. Uma estratégia é formar um grupo de pais e efetuar uma compra coletiva”.
Segundo o especialista, é possível estabelecer contato prévio com diferentes lojas e verificar qual poderá conceder o melhor desconto. “Como em qualquer negociação, nem sempre comprar com o preço mais barato será a melhor opção. Considere também a qualidade dos produtos, o atendimento, as opções e formas de pagamento”, aconselhou.
Outra dica é evitar compra de produtos licenciados (os decorados com personagens de desenhos e filmes, normalmente, têm valor maior). Segundo Cléber, é necessário ficar de olho nas listas de escolar privadas, pois muitas são abusivas e solicitam materiais de uso coletivo.