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Brasília

Pai e filho: Mais de dois mil km sobre uma bike

Arquivo Geral

16/01/2014 7h21

À procura de uma vida mais saudável, Leandro Azevedo encontrou uma nova forma de conhecer o Brasil: o cicloturismo. “É sofrido, doido, nada fácil. Mas é muito bom”, confessa o bancário, que se prepara para viajar, de bicicleta, quase 2.700 km de Brasília à Paraíba. A viagem será ao lado do filho, de 17 anos, e de um amigo, e está marcada para o mês que vem. 

Mas essa não é a primeira vez que Leandro faz uma viagem dessa forma. Tudo começou após ele romper o tendão de aquiles jogando futebol, em 2008. O bancário, então, procurou um esporte com menos impacto e escolheu a bicicleta. 

Na primeira vez que Leandro comentou sobre a decisão de viajar uma longa distância de bicicleta,  virou piada entre os amigos.  A idade, 45 anos, e o corpo fora dos padrões de um ciclista foram os motivos de descrença. “Ia de Maceió para João Pessoa. Fui me preparando e decidi que queria fazer algo mais desafiador, então fui para Jalapão (TO) em 2011. Foi nesse momento que viciei”, conta. Com isso, Leandro mostrou que não é preciso ser atleta para conseguir alcançar os desafios do corpo.

Enquanto se preparava para pedalar todo o Parque do Jalapão, cujo percurso era sair de Palmas (TO) para percorrer mais de mil quilômetros de estrada de terra, um amigo que não praticava esportes há 10 anos decidiu virar sócio do projeto e abraçou o desafio. “Eu achava muita loucura, até que pensei: porque ele consegue ir e eu não? Foi o nosso teste. Passamos 10 dias acampando, comendo o que dava, e agora toda a família abraçou a ideia”, diz o metroviário Lincoln Venoso. 

Resgate

O filho de Leandro virou parceiro das aventuras há três anos. Hugo pedala até 100 km em um dia com o pai. “Já fui resgatado uma vez em Unaí (MG), no km 60. Desisti e pedi para a minha mãe ir me buscar. Parei na lanchonete, comprei dois hambúrgueres e fiquei esperando”, lembra o garoto.

Preparação física e psicológica

Hugo, o viajante mais novo, dá dicas de como fazer para conseguir ir até o final: “Na bike, o pensamento tem que estar só em você. Tem de ficar olhando para o chão para não pensar na subida. Pensar em quem gosta de você, cantar uma música. Tudo isso para não pensar na coxa que está doendo”. Segundo Leandro, de fato, o cicloturismo precisa de 60% de preparação psicológica e 40% física. 

Gentileza

Para o bancário, a melhor parte da viagem com a bicicleta são as pessoas que encontra no meio do caminho e o contato direto com a natureza. “Eu sou bastante tímido, mas a bicicleta quebra isso. Você chega em um lugar, de malas, todo equipado, em cima da bike, e a curiosidade traz as pessoas. O povo brasileiro gosta de ajudar.”

De volta para minha terra

Em 1º de fevereiro, Leandro e o filho Hugo (foto), acompanhados do amigo Lincoln, vão se aventurar na maior viagem de ciclismo já feita pelo grupo. O projeto, intitulado  De Volta Para a Minha Terra de Bike, persiste em sair de Brasília até Cuité (PB). Hugo e Leandro percorrerão os 2.700 km enquanto Lincoln irá encontrá-los em Aracaju (SE) e pedalar mil quilômetros.

Saiba Mais

O trio conta todas as suas aventuras no site www.naestradadebike.com. Além dos diários de viagem, o site tem várias dicas para quem quiser seguir o cicloturismo. 

Entre os pontos citados para a escolha da bicicleta como 

meio de transporte estão a economia financeira, saúde, sensação de liberdade e a emissão de menos poluentes.

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